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Por fedor e barulho, MP processa reciclagem após reclamação de moradores

Ministério Público de Mato Grosso do Sul ajuizou ação civil pública contra empresa de reciclagem em Campo Grande após denúncias de moradores sobre poluição sonora e odores fortes.

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Por fedor e barulho, MP processa reciclagem após reclamação de moradores

Moradores do Condomínio Bosque des Ipês, localizado no bairro Novos Estados, em Campo Grande, enfrentam uma rotina marcada por isolamento acústico improvisado, janelas seladas e o uso constante de purificadores de ar. O motivo dos transtornos é a proximidade imediata com a empresa Berpram Reciclagem, separada do conjunto residencial apenas por um muro, o que levou o Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) a ajuizar uma ação civil pública contra o empreendimento.

De acordo com relatos de moradores e do subsíndico Mateus Santana, os problemas persistem desde a entrega do condomínio, em 2024. A vizinhança convive com ruídos constantes de maquinário em horários inadequados, além de fumaça densa e forte odor que inviabilizam atividades simples, como estender roupas do lado de fora ou manter as janelas abertas para circulação de ar. O impacto é tão intenso que algumas casas vizinhas à empresa continuam desocupadas, enquanto outras receberam barreiras físicas adicionais, como paredes falsas de drywall.

As queixas da comunidade foram respaldadas por laudos técnicos elaborados pela Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) e por vistorias periciais. As inspeções registraram níveis de ruído de até 57,1 dB, patamar superior ao limite de 55 dB permitido para áreas residenciais conforme a norma da ABNT. Além da poluição sonora, os fiscais constataram a emissão de odores desagradáveis semelhantes a matéria orgânica em decomposição e carniça.

As vistorias ambientais também apontaram irregularidades graves no descarte de resíduos e efluentes. Relatórios periciais indicam que água da lavagem de peças era despejada diretamente sobre o solo, escoando por canaletas de drenagem em direção ao Parque Cônsul Assaf Trad. Também foram identificados o armazenamento inadequado de lodo em área descoberta e a proximidade de contêineres com restos orgânicos junto ao muro do condomínio.

Diante dos danos ambientais e dos impactos à qualidade de vida da comunidade, a 26ª Promotoria de Campo Grande tentou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com a empresa. Contudo, após duas recusas da Berpram Reciclagem em assinar o acordo e a falta de melhorias perceptíveis apontadas pelos moradores, a promotora Luz Marina Borges Maciel Pinheiro converteu o inquérito civil em ação civil pública.

A ação judicial exige que a empresa realize o isolamento acústico imediato de seus galpões, promova o confinamento adequado dos resíduos, ajuste o tratamento de efluentes e arque com a reparação pelos danos morais e ambientais coletivos causados. A reportagem tentou contato com a empresa de reciclagem para obter um posicionamento sobre as acusações e a recusa do TAC, mas não obteve retorno até o fechamento da matéria.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano