As eleições gerais em Mato Grosso do Sul colocam em disputa não apenas os cargos do Executivo estadual e do Senado Federal, mas também a consolidação de uma hegemonia política sem precedentes na história regional. Pesquisas divulgadas na reta final da campanha apontam um amplo favoritismo para a reeleição do governador Eduardo Riedel e para a conquista das duas vagas no Senado pelo ex-governador Reinaldo Azambuja e pelo Capitão Contar.
Caso os resultados previstos pelas pesquisas se confirmem nas urnas, o grupo político liderado por Azambuja e Riedel alcançará o quarto mandato consecutivo no comando do Estado. Essa sequência representará um marco inédito de 16 anos de poder ininterrupto nas mãos da mesma coalizão, apoiada fortemente na articulação entre o setor do agronegócio e a máquina administrativa estadual.
A campanha eleitoral evidenciou visões distintas sobre o desenvolvimento sul-mato-grossense. De um lado, Eduardo Riedel concentrou sua estratégia na defesa dos resultados de sua gestão, destacando índices de crescimento econômico, equilíbrio fiscal, obras de infraestrutura e avanços na segurança pública. Do outro, a oposição liderada por Fábio Trad procurou questionar o modelo administrativo vigente, apontando deficiências na distribuição de renda, na saúde pública e nos serviços sociais.
A engenharia política comandada por Reinaldo Azambuja viabilizou uma supercoalizão formada por nove partidos, unindo desde legendas de centro até a direita bolsonarista. Embora essa ampla aliança garanta força eleitoral e capilaridade em prefeituras e no parlamento, cientistas políticos alertam para os riscos de fragmentação a médio prazo, visto que a acomodação de tantas lideranças e projetos divergentes pode gerar atritos futuros.
A estrutura de poder erguida pelo grupo abrange esferas cruciais da política estadual, incluindo a Assembleia Legislativa, a bancada federal e prefeituras estratégicas. Para analistas, a figura de Azambuja consolida-se como central para o desenho do cenário político sul-mato-grossense, tendo forte influência inclusive sobre a sucessão estadual prevista para o horizonte de 2030.
Enquanto a base governista aposta na continuidade e na coesão de sua frente ampla, a oposição avalia que a disputa deste ano serve como ponto de partida para estruturar um discurso alternativo permanente. O desfecho nas urnas definirá não apenas os nomes dos próximos representantes, mas também a durabilidade da atual estrutura de poder no Estado.
Fonte: www.campograndenews.com.br
