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Tráfico leva filhotes, destrói ninhos e ameaça futuro dos papagaios livres em MS

Dados do Projeto Papagaio-verdadeiro apontam que o tráfico de filhotes e a destruição de ninhos no Cerrado e na Mata Atlântica de Mato Grosso do Sul ameaçam a sobrevivência da espécie.

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Tráfico leva filhotes, destrói ninhos e ameaça futuro dos papagaios livres em MS

Antes de ganhar o céu, um filhote de papagaio-verdadeiro depende do abrigo de uma árvore e do cuidado dos pais. É justamente nesse começo da vida que o tráfico de filhotes e de ovos mais se intensifica. A ação criminosa concentra-se nos meses de setembro e outubro, período em que os pequenos estão frágeis e ainda sem penas dentro dos ninhos no Cerrado e na Mata Atlântica de Mato Grosso do Sul.

Dados apresentados pela doutora Gláucia Seixas, idealizadora e coordenadora do Projeto Papagaio-verdadeiro — vinculado à Fundação Neotrópica do Brasil —, revelam que 75% das cavidades acompanhadas pela iniciativa foram arrombadas por traficantes. De um total de 1.724 cavidades monitoradas entre 2016 e 2024, cerca de 1.292 sofreram invasões, resultando no roubo de aproximadamente 1.089 filhotes com idade entre 5 e 50 dias.

Além de retirar as aves, os saqueadores danificam profundamente os ninhos, que costumam ser feitos em palmeiras e possuem vida útil média de seis a sete anos. A destruição reduz a duração desses abrigos naturais e gera prejuízos que podem comprometer várias estações reprodutivas futuras. Para combater essa forte pressão, o projeto atua em regiões como Batayporã, Glória de Dourados, Ivinhema, Itaquiraí, Jateí, Naviraí, Novo Horizonte do Sul e Taquarussu.

A pressão do tráfico soma-se ainda à perda de árvores com cavidades, decorrente da transformação dos ambientes naturais pela ação humana, como a agricultura industrial, a limpeza de pastagens e os incêndios florestais. Como alternativa para mitigar esse problema, o projeto confeccionou e instalou cerca de 450 ninhos artificiais desde 2019, alcançando um sucesso reprodutivo de 44% no Cerrado e na Mata Atlântica, superando os 21% registrados nos ninhos naturais dessas mesmas regiões.

O monitoramento também inclui a marcação dos filhotes com anilhas numeradas para facilitar a identificação da origem das aves em eventuais apreensões. Na atual estação reprodutiva, cerca de 20 filhotes já receberam as anilhas. Enquanto a equipe busca garantir que essas aves cresçam livres na natureza, muitas acabam morrendo durante a captura e o transporte ilegal, ou terminam encaminhadas a centros de triagem e reabilitação.

Criado em 1997 por Gláucia Seixas a partir de sua experiência no CRAS em Campo Grande, o Projeto Papagaio-verdadeiro une pesquisa científica, educação ambiental, apoio a políticas públicas e manejo para conservação. Especialistas reforçam o apelo para que a população não retire nem compre papagaios silvestres e denuncie imediatamente a exploração ilegal da fauna sul-mato-grossense.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano