Ao encerrar uma relação de quase 30 anos com a política de Mato Grosso do Sul, trocar o MDB pelo PSB e aceitar uma disputa para o Senado em São Paulo para fortalecer o palanque de Lula, a ex-ministra Simone Tebet colocou todas as fichas na maior aposta de sua vida e acabou derrotada nas urnas.
Ela ficou em terceiro lugar na disputa em que foram eleitos Guilherme Derrite e André do Prado, mas conquistou mais de 8 milhões de votos. O volume representou cinco vezes a votação que havia tido como candidata a presidente por São Paulo em 2022 e o equivalente a quatro vezes todo o eleitorado de Mato Grosso do Sul.
“Eu sou uma pessoa de centro”, disse Simone ao fazer um primeiro balanço da eleição. A frase resume a identidade política que procurou sustentar durante a campanha e que agora ganha outro significado diante da derrota, preservando o espaço político que pretendia ocupar no debate nacional.
A operação paulista representou uma ruptura com a geografia política familiar. Simone deixou o MDB, filiou-se ao PSB e transferiu o domicílio eleitoral para a capital paulista. Seu marido, Eduardo Rocha, permaneceu em Mato Grosso do Sul e disputou, sem sucesso, uma vaga de deputado estadual pelo MDB, o que praticamente tira a família Tebet da política sul-mato-grossense.
A dificuldade inicial de convencer o eleitor paulista de que uma política formada em Mato Grosso do Sul poderia representá-lo foi combatida com a apresentação de sua experiência nacional como credencial, destacando seu histórico como senadora, candidata à Presidência, ministra, prefeita de Três Lagoas e vice-governadora.
A estratégia consistiu em construir uma candidatura integrada à aliança de Fernando Haddad e dividindo palanque com Lula, Geraldo Alckmin, Márcio França e Marina Silva, ao mesmo tempo em que buscava dialogar com setores do interior, do agronegócio e com eleitores fora do espectro tradicional da esquerda.
Apesar da competitividade que a colocou nas pesquisas entre os nomes que disputavam as vagas, a força da onda política consolidou a vitória de seus adversários. No entanto, a ex-senadora classificou o pleito como uma eleição atípica, silenciosa e marcada pela fadiga do eleitor com a polarização.
Sem mandato, a leitura de Simone combina com o espaço político que ela pretende ocupar no centro democrático. Permanece em aberto a possibilidade de participação futura no debate nacional ou no governo, transformando a experiência em São Paulo em capital político de longo prazo rumo a 2030.
Fonte: www.campograndenews.com.br
