Mais de 70 galerias de arte, incluindo algumas das mais importantes do Brasil, uniram-se para enviar uma carta formal à organização da SP-Arte. No documento, o grupo solicita uma redução de 25% nos preços cobrados pelos estandes na edição do evento programada para o próximo ano.
A iniciativa conta com a adesão de gigantes do mercado nacional, a exemplo das galerias Fortes D’Aloia & Gabriel, Luisa Strina, Mendes Wood DM e Nara Roesler. De acordo com o texto enviado à fundadora e diretora da feira, Fernanda Feitosa, os reajustes aplicados pela organização superaram amplamente a inflação acumulada nos últimos quatro anos.
Os dados apresentados mostram que os valores dos espaços subiram 32% no período, enquanto a inflação oficial marcou 19%. Segundo os galeristas, o encarecimento excessivo prejudica a diversidade do evento, uma vez que o aumento dos custos operacionais obriga muitas casas a reduzirem a área contratada ou a desistirem completamente da participação.
O manifesto salienta que a crise nos custos não é isolada e reflete um momento delicado do mercado global de arte. Após o período pandêmico, a recuperação das vendas tem sido lenta e desigual, concentrando-se prioritariamente em transações de altíssimo valor e deixando galerias de menor porte em situação de vulnerabilidade financeira.
O impacto dessa retração e do aumento de despesas tem resultado no fechamento de espaços renomados ao redor do mundo, como as galerias Clearing e Stephen Friedman, em Londres, e a Blum, em Los Angeles. Em São Paulo, o setor também sente reflexos com reestruturações locais, evidenciando o momento de cautela dos empresários do setor.
Como contraponto, o documento lembra que feiras internacionais de grande porte vêm adotando medidas flexíveis para apoiar os expositores. A Art Basel, por exemplo, ofereceu descontos para galerias menores, enquanto a Art Dubai testou um modelo baseado em porcentagem sobre as vendas efetivas em vez de cobrar taxas fixas por metro quadrado.
A SP-Arte figura entre os eventos mais caros do circuito internacional proporcionalmente, cobrando cerca de R$ 2.650 por metro quadrado de estande — valor que se aproxima, guardadas as devidas proporções, de feiras de elite como a Art Basel na Suíça. Questionada sobre o manifesto, Fernanda Feitosa declarou em nota que a organização mantém um diálogo constante com os expositores e que se reunirá em breve com eles para definir os preparativos da edição de 2027.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
