Últimas notícias
BRASIL

Na eleição para a Câmara, famosos dão lugar a ‘políticos influencers’

Disputa pela Câmara dos Deputados mostra queda de celebridades tradicionais e ascensão de candidatos que construíram projeção política nas redes sociais.

Compartilhe: WhatsApp Facebook X
Na eleição para a Câmara, famosos dão lugar a ‘políticos influencers’

As eleições para a Câmara dos Deputados evidenciaram uma mudança significativa na relação entre fama e política. Enquanto figuras conhecidas da televisão, do esporte e de outras áreas do entretenimento enfrentaram dificuldades e acabaram ficando de fora das 513 cadeiras da Casa, os chamados “políticos influencers” bateram recordes de votação e dominaram o cenário nacional.

Candidatos tradicionais e com forte apelo midiático sofreram reveses expressivos nas urnas. Nomes como Silvia Abravanel (PSD-SP), Val Marchiori (Republicanos-SP), o ex-jogador Luiz Fabiano, o “Fabuloso” (MDB-SP), e Manoel Gomes, o “Caneta Azul” (Avante-SP), tentaram ingressar na política institucional, mas não obtiveram sucesso. O caso mais emblemático foi o de Tiririca (PSD-CE), que após 14 anos como deputado federal e histórico de votações expressivas, não conseguiu se reeleger.

Em contrapartida, nomes como Nikolas Ferreira (PL-MG), Lucas Pavanato (PL-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP) destacaram-se como os maiores campeões de votos do pleito. Juntos, esses três parlamentares somaram 7.754.228 votos. Todos eles compartilham a característica de terem construído sua base política e projeção pública diretamente nas redes sociais, transformando seguidores em capital eleitoral de grande impacto.

Para especialistas como Issaaf Karhawi, professora da Escola de Comunicações e Artes da USP (ECA-USP), a própria arquitetura das plataformas digitais favorece esse tipo de aproximação. Diferente das celebridades tradicionais, que dependiam da intermediação da grande mídia, os influenciadores operam em uma lógica horizontal de comunicação, transmitindo a sensação de proximidade e produção autônoma de conteúdo.

Essa nova dinâmica alterou profundamente o planejamento das campanhas eleitorais. A disputa deixou de ser concentrada apenas no período de rua e passou a exigir investimento contínuo de tempo e recursos financeiros nas redes sociais. Um exemplo dessa nova geração é a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG), de apenas 20 anos e apontada como a parlamentar mais jovem eleita em Minas Gerais com mais de 500 mil votos, que destacou a importância de dialogar com o eleitor conectado.

O perfil dos tradicionais “puxadores de votos” — candidatos com votação expressiva que ajudam a eleger outros nomes da legenda — também se transformou. Em 2010, o próprio Tiririca inaugurou um fenômeno com mais de 1,3 milhão de votos que impulsionou sua coligação. Em 2026, o papel coube a Nikolas Ferreira, com 3,1 milhões de votos em Minas Gerais, seguido por Lucas Pavanato em São Paulo e Erika Hilton, consolidando a nova era da influência digital na política brasileira.

Fonte: g1.globo.com

Escrito por

admin