Há quatro mil anos, Enheduana estava no auge de seu esplendor quando um inimigo invadiu o império, atacou sua cidade, apoderou-se dela e, de acordo com registros históricos, a subjugou. Contudo, ela não apenas sobreviveu como acabou reconduzida ao templo que dirigia, recuperando-se ao escrever sobre seu martírio. Enheduana marcou a história como a primeira mulher cujas palavras puderam ser ouvidas, sendo o primeiro autor identificado e a pioneira a relatar uma experiência de abuso sexual.
Como integrante da primeira dinastia conhecida, Enheduana desfrutava de todos os privilégios possíveis no ano 2.200 antes de Cristo. Ela era princesa de um vasto império que se estendia desde o atual Iraque, passava pelo Líbano e chegava até o Golfo Pérsico, além de atuar como suma sacerdotisa do deus Nana, a Lua. Era filha de Sargão, historicamente reconhecido como o ‘rei dos quatro cantos do mundo’, vivendo cercada pelos luxos da realeza de sua época.
Fazendo um salto temporal para os dias atuais, o artigo traça um paralelo com Simone, filha de Ramez. Nascida há 56 anos, ela também esteve recentemente no auge de seu poder político quando enfrentou um revés contundente por parte de adversários. O texto descreve o episódio não como uma agressão física, mas sim como um violento ataque político-psicológico desferido contra sua imagem e trajetória.
Integrante de uma expressiva dinastia política do Mato Grosso do Sul, a família Tebet, Simone construiu sua base de influência em redutos que iam de Três Lagoas e Bataguassu até Paranaíba. Filha de Ramez, figura de enorme peso político na região de fronteira com São Paulo, ela desfrutou de relevância institucional equiparável à de uma princesa em seu império regional.
A análise aponta que, após os desdobramentos eleitorais recentes e o enfraquecimento do lulismo em determinadas esferas, uma artilharia pesada de críticas passou a ser direcionada exclusivamente contra Simone. Entre as cobranças levantadas por críticos e antigos aliados estão o distanciamento de suas bases tradicionais no Mato Grosso do Sul e sua migração política para o campo da esquerda.
Por fim, o texto questiona o futuro político da ex-senadora e ministra, levantando dúvidas sobre sua capacidade de retornar ao seu antigo patamar de influência ou se o seu destino será o afastamento definitivo da vida pública, com um eventual retorno às atividades ligadas ao magistério.
Fonte: www.campograndenews.com.br
