A recente fusão entre a Warner Bros. e a Paramount, concluída na última terça-feira (6) e avaliada em US$ 110 bilhões (cerca de R$ 548 bilhões), deu origem à nova empresa Skydance. David Ellison, CEO da companhia, anunciou que manterá em operação dois dos lotes de filmagens mais importantes de Hollywood, dividindo as atividades de modo que um foco seja dedicado às produções de cinema e o outro a projetos de televisão e streaming.
Em declaração concedida a jornalistas no estúdio da Paramount em Los Angeles, Ellison explicou que os tradicionais logotipos da Warner e da Paramount continuarão a aparecer na abertura dos filmes, acompanhados da inscrição ‘A Skydance Company’. A medida visa preservar o legado histórico de ambas as marcas, evitando que a união de nomes diminua a identidade consolidada dos estúdios ao longo das décadas.
No aspecto criativo, a gestão seguirá independente, conforme detalhado por Ynon Kreiz, ex-comandante da Mattel. Os executivos Dana Goldberg e Josh Greenstein liderarão os lançamentos da Paramount Pictures. Enquanto isso, Ellison concentrará seus esforços em estratégia e tecnologia criativa, e Kreiz assumirá a responsabilidade sobre as operações gerais e a integração corporativa da nova gigante do entretenimento.
Questionado sobre possíveis articulações políticas, Ellison negou ter tratado de pautas jornalísticas com líderes governamentais, rebatendo especulações sobre conversas com o presidente dos Estados Unidos acerca da emissora CNN. Segundo o executivo, suas viagens a Washington tinham como único objetivo discutir um incentivo fiscal federal voltado à produção audiovisual, tratado inicialmente com o senador Lindsey Graham, falecido em julho.
O plano de expansão da Skydance é ambicioso: o CEO prometeu o lançamento de 30 filmes nos próximos dois anos, seguidos por mais 32 títulos nos três anos subsequentes. No ano passado, vale lembrar, a Warner havia lançado 11 longas-metragens, enquanto a Paramount registrou nove estreias. Contudo, a companhia também enfrentará desafios financeiros e estruturais, incluindo cortes operacionais necessários para administrar a dívida conjunta de US$ 80 bilhões.
A operação de consolidação passou por crivos regulatórios e judiciais. Na semana passada, a Justiça americana aprovou um acordo com 12 estados liderados pela Califórnia que tentavam barrar o negócio. No Brasil, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) concluiu que o mercado nacional de distribuição comporta a transação sem impor restrições, atestando a legalidade e a viabilidade da nova estrutura empresarial no cenário internacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
