
A presença de policiais militares em uma assembleia estudantil e as restrições impostas a manifestações na UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) foram incluídas em uma denúncia apresentada ao MPF (Ministério Público Federal). A representação foi formalizada pelo Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior) e integra um documento sobre intimidações em instituições públicas de ensino.
O caso consta em um despacho assinado na quarta-feira (14), no Rio de Janeiro, pelo procurador da República Julio José Araujo Junior. No documento, a atuação da polícia é citada pelo sindicato, que relata a entrada de agentes no espaço universitário para interromper uma assembleia de estudantes. A UEMS declarou que a Reitoria não solicitou a presença da Polícia Militar nas unidades de Paranaíba e Campo Grande nem foi avisada previamente sobre a ação.
Além da questão de segurança, a entidade sindical questiona as limitações aplicadas pela universidade ao debate político e às manifestações. O sindicato aponta o uso de uma interpretação restritiva da legislação eleitoral para impor barreiras absolutas às discussões no ambiente acadêmico. A instituição estadual informou que segue as normativas da PGE-MS (Procuradoria-Geral do Estado de Mato Grosso do Sul) desde julho e que recolhe relatórios e boletins de ocorrência para adotar providências judiciais.
O despacho do MPF registrou a denúncia, mas não estabeleceu conclusões ou determinações diretas para a UEMS. As ordens de envio de informações sobre prevenção de intimidações foram direcionadas a universidades e institutos federais do Rio de Janeiro. Devido à possibilidade de repercussão nacional, o procurador encaminhou o processo para avaliação da PFDC (Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão).
