
O delegado Hoffmann D’Ávila Cândido e Sousa, que comandou a Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) até fevereiro, foi denunciado pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) sob a acusação de liderar uma organização criminosa voltada ao desvio e à revenda de drogas apreendidas. A investigação aponta que a autoridade policial e seus subordinados transformavam operações oficiais em fonte de abastecimento para o mercado ilegal.
Segundo a denúncia apresentada à Justiça de Mato Grosso do Sul, o esquema funcionava entre 2021 e 2026, aproveitando o acesso a informações sigilosas e a custódia de entorpecentes. Ao todo, 23 pessoas foram denunciadas, incluindo policiais civis e traficantes. O Ministério Público aponta que o delegado exercia papel decisivo, autorizava os desvios de cocaína e maconha e figurava entre os principais beneficiários financeiros da rede ilícita.
Entre os episódios citados na investigação está a apreensão de 650 quilos de cocaína em Bela Vista, ocorrida em maio de 2024. Enquanto o delegado divulgava o caso à imprensa como uma operação histórica, escutas e mensagens analisadas pelo Gaeco indicam que cerca de 400 quilos do entorpecente teriam sido desviados antes do registro oficial, com a participação de um informante e traficante conhecido como LK.
A acusação também detalha transações financeiras suspeitas, movimentações em dinheiro vivo que somam centenas de milhares de reais e a falta de perícia em celulares apreendidos durante as diligências. O Gaeco requer a perda do cargo público para o delegado, o confisco de bens e o pagamento de R$ 10 milhões referentes a danos morais coletivos. A denúncia aguarda análise da 2ª Vara Criminal de Campo Grande para o início da ação penal.
