
Um relatório complementar da Garras (Delegacia Especializada de Repressão a Roubo a Banco e Resgate a Assaltos e Sequestros), concluído em 23 de setembro de 2026, aponta que o narcotraficante internacional Gerson Palermo acompanhou em tempo real o sequestro da própria filha, realizado em outubro de 2025, em Campo Grande. Documento ao qual o Campo Grande News teve acesso reúne 19 registros de áudio e mensagens extraídos do celular de Reinaldo Silva de Farias, apontado pela Polícia Civil como coordenador operacional do crime.
A investigação atribui a Palermo o papel de mandante da ação criminosa, motivada por uma disputa de dinheiro que ele alegava pertencer-lhe. Segundo os policiais, o narcotraficante usou o vínculo familiar para atrair a jovem e monitorou a execução do crime à distância. O material obtido revela uma sequência de terror psicológico, agressões e ultimatos para que a vítima fosse levada a uma região conhecida como Inferninho caso o resgate não fosse pago.
Áudios registram escalada de violência no cativeiro
Em uma gravação de 24 de outubro de 2025, o interlocutor exige que a jovem ouça mensagens sobre familiares amarrados e faz ameaças de morte contra o avô da vítima. A ordem era para intensificar a pressão e fotografar a refém para comprovar o cativeiro à mãe dela. Em outro áudio, emitido minutos depois, há novas intimidações e menções a agressões físicas contra os parentes.
O momento de maior tensão ocorreu às 21h24 do mesmo dia, com a determinação de um prazo limite até as 21h30 para o pagamento, sob pena de levar a jovem em direção ao Inferninho e matar os familiares um por um. Gravações do dia seguinte indicam que o andamento da operação era monitorado em tempo real por um indivíduo chamado de “o velho” pelos criminosos.
Defesa nega acusações
Palermo estava foragido na Bolívia durante o sequestro e foi preso em 30 de maio de 2026, sendo encaminhado ao sistema penitenciário federal. Em depoimento, ele negou a autoria do crime e sua defesa alegou que o episódio tratou-se de uma encenação combinada para forçar a devolução de valores. A versão é contestada pela vítima e pela Polícia Civil.
