
A Polícia Federal investiga o advogado Willer Tomaz, amigo do senador Flávio Bolsonaro, sob a suspeita de articular um esquema de propina no valor de US$ 7,5 milhões, o equivalente a cerca de R$ 40 milhões. O montante teria como objetivo assegurar um parecer favorável do Ministério Público Federal no Superior Tribunal de Justiça (STJ), dentro da disputa pelo controle da Eldorado Brasil, fábrica de celulose instalada em Três Lagoas (MS).
Disputa societária e articulação no STJ
O conflito empresarial envolve a Paper Excellence e a J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, que em 2017 firmaram a venda da Eldorado por R$ 15 bilhões. Após divergências contratuais que impediram a transferência total do controle, a batalha jurídica chegou às cortes superiores. Em 2024, mensagens obtidas pela PF indicam que Willer Tomaz enviou a um interlocutor da Paper um parecer do subprocurador-geral da República aposentado Antônio Carlos Simões Soares favorável à empresa estrangeira, documento protocolado no mesmo dia no STJ.
Desfecho judicial e encerramento do caso
Apesar da movimentação investigada, a relatora do processo no STJ, ministra Nancy Andrighi, ignorou a orientação do parecer do MPF e proferiu decisão favorável à J&F. Em maio de 2025, as partes firmaram um acordo definitivo e a J&F recomprou a fatia da Paper Excellence, encerrando a disputa societária pelo controle da indústria sul-mato-grossense.
