Os integrantes da Cúpula do Brics, reunidos em Nova Delhi, capital indiana, manifestaram forte apreensão com a escalada de conflitos no Oriente Médio, criticaram a imposição de barreiras tarifárias unilaterais no cenário comercial global e defenderam um protagonismo ampliado do Brasil no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
As posições foram formalizadas no documento final do encontro, intitulado “Construindo para a Resiliência, Inovação, Cooperação e Sustentabilidade”, divulgado publicamente. O bloco atualmente é composto por 11 nações — Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã —, que juntas representam parcelas expressivas da economia, população e comércio mundiais.
Um dos pontos centrais da pauta diplomática dizia respeito à postura do grupo frente ao conflito na região do Oriente Médio, deflagrado após ações militares envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã. Embora a declaração oficial evite citar nominalmente os países envolvidos ou empregar o termo guerra de forma direta em seu vigésimo oitavo parágrafo, o texto apela para a máxima contenção e repudia atitudes que possam intensificar a instabilidade local.
No aspecto geopolítico, o bloco renovou o pleito pela reestruturação do Conselho de Segurança da ONU, visando torná-lo mais representativo, democrático e capacitado para lidar com os desafios contemporâneos de paz e segurança internacional. Representantes de Moscou e Pequim reiteraram formalmente o endosso às aspirações brasileiras e indianas para ganharem assentos de maior relevância no órgão.
O cenário econômico também recebeu destaque severo com críticas contundentes ao avanço de medidas tarifárias adotadas de forma unilateral por potências globais, apontadas como prejudiciais e contrárias às diretrizes da Organização Mundial do Comércio. Embora nominalmente o governo dos Estados Unidos e o presidente Donald Trump não apareçam no documento oficial, nações como Brasil, China e Índia figuram diretamente entre os alvos dessas barreiras comerciais.
Por fim, os países signatários debateram mecanismos alternativos para transações financeiras utilizando moedas locais, afastando, contudo, a ideia de criação de uma moeda única do Brics. A cúpula também deu espaço para pautas sociais prioritárias, endossando propostas voltadas ao combate à extrema pobreza e à redução das desigualdades globais.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
