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Corante verde no etanol pode exigir adequações nas usinas de MS e elevar custos

A proposta da ANP de adicionar corante verde ao etanol hidratado como medida provisória para combater fraudes em bebidas preocupa o setor sucroenergético em Mato Grosso do Sul.

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Corante verde no etanol pode exigir adequações nas usinas de MS e elevar custos

A proposta em estudo pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) para adicionar corante verde ao etanol hidratado combustível pode gerar impactos operacionais e financeiros significativos para as usinas de Mato Grosso do Sul. A medida é tratada pelas autoridades regulatórias como uma solução provisória para tentar conter o uso irregular do combustível na fabricação clandestina de bebidas alcoólicas.

Segundo avaliação do secretário da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Arthur Falcette, o Estado, sendo um dos principais produtores do país, sentirá os reflexos da obrigatoriedade diretamente na operação industrial. A necessidade de inserção do produto ainda na usina exigirá adaptações físicas, novos custos e controle rigoroso de rastreabilidade e conformidade regulatória.

O secretário também apontou que a logística e a segregação do etanol destinado a diferentes mercados precisarão ser reavaliadas, o que pode incluir eventuais efeitos sobre o fluxo de exportações. Além disso, o fato de a ANP considerar o corante verde apenas uma alternativa transitória até a viabilização técnica do benzoato de denatônio gera preocupação sobre investimentos que podem se tornar obsoletos em curto prazo.

O setor produtivo formal, representado por entidades como a Biosul, acompanha de perto o avanço do processo regulatório e a definição dos critérios técnicos. O posicionamento oficial reforça o apoio ao combate de ilícitos externos à cadeia regulada, mas pondera sobre a proporcionalidade da medida e o peso financeiro repassado a quem cumpre a legalidade.

Mato Grosso do Sul consolida-se como o quarto maior produtor nacional de etanol e de cana-de-açúcar, ocupando também a segunda posição no etanol de milho e a quinta em açúcar. Na safra 2025/2026, o Estado alcançou a marca histórica de 5 bilhões de litros de etanol produzidos, respondendo atualmente por cerca de 13,5% de toda a produção do biocombustível no Brasil.

Diante do peso econômico da cadeia sucroenergética sul-mato-grossense, o governo estadual e as entidades do setor defendem que a regulamentação final seja detalhadamente avaliada em termos de efetividade e custo-benefício, garantindo que a competitividade das usinas locais não seja prejudicada por imposições voltadas a coibir práticas irregulares externas.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano