A escalada dos conflitos no Oriente Médio atingiu um ponto crítico com ataques recentes a infraestruturas energéticas vitais na Arábia Saudita e a movimentação estratégica dos rebeldes houthis no Iêmen. Essas ações em conjunto ameaçam comprometer cerca de 4% do suprimento global de petróleo, agravando de maneira drástica a crise energética e inflacionária que afeta a economia mundial.
Na última sexta-feira (10), um ataque com drones atingiu o principal oleoduto saudita que conecta os campos petrolíferos do oeste do país ao porto de Yanbu, localizado às margens do mar Vermelho. Com o estreito de Hormuz enfrentando fortes restrições de trânsito devido ao conflito envolvendo o Irã e os Estados Unidos, a rota do mar Vermelho havia se tornado a principal alternativa para o escoamento das exportações do reino.
Como segundo maior produtor de petróleo do mundo, a Arábia Saudita passou a escoar aproximadamente 70% de sua produção por essa via marítima. Autoridades locais apontam que o ataque foi lançado a partir do território iraquiano por facções aliadas ao Irã e aos houthis, embora nenhuma organização tenha reivindicado formalmente a autoria do atentado até o momento.
Segundo estimativas de agências de notícias, as reservas de petróleo armazenadas em Yanbu são suficientes para no máximo mais uma semana. A Aramco, operadora estatal responsável pela infraestrutura, ainda não divulgou previsões para a retomada das operações, enquanto imagens de satélite sugerem que os danos causados ao oleoduto foram extensos.
Em paralelo, os rebeldes houthis continuam consolidando o controle sobre a costa iemenita do mar Vermelho. O grupo já domina o acesso e as ilhas do estreito de Bab el-Mandeb, ponto de passagem estratégico que liga o mar Vermelho ao oceano Índico, e intensificou operações militares na região norte.
Com o agravamento desse cenário nos mercados internacionais, o preço do barril Brent chegou a atingir US$ 107, estabilizando-se posteriormente na faixa de US$ 105. Analistas e organismos internacionais alertam que a contínua instabilidade na infraestrutura de transporte de petróleo pode aprofundar ainda mais as perdas previstas no fluxo energético global para o restante do ano.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
