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Água que escorria no corredor vira horta e projeto científico em escolas de MS

Projetos de colégios públicos de Campo Grande e Miranda estão entre os 30 semifinalistas em concurso nacional ao reaproveitar água de ar-condicionado.

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Água que escorria no corredor vira horta e projeto científico em escolas de MS

Uma poça no corredor da escola e a água que pinga dos aparelhos de ar-condicionado motivaram professores e estudantes de duas escolas públicas em Mato Grosso do Sul a transformarem um recurso desperdiçado em projetos científicos inovadores. A curiosidade deu origem a iniciativas que envolvem matemática, biologia, química e tecnologia, levando alunos do Ensino Médio de Campo Grande e Miranda à semifinal da 13ª edição do Solve for Tomorrow Brasil, competição nacional voltada a soluções comunitárias em colégios públicos.

Em Campo Grande, na Escola Estadual Professora Clarinda Mendes de Aquino, a água acumulada nos corredores gerava um piso escorregadio e sem destinação adequada. O professor de matemática Reginaldo Vantini Júnior levou a questão para a sala de aula, onde os estudantes coletaram o líquido para calcular o volume gerado em diferentes períodos. A partir daí, o grupo idealizou a EcoHorta Inteligente, uma horta vertical que utiliza o recurso e conta com sensores de umidade, temperatura, pressão e fluxo de água para monitoramento em tempo real.

A experiência na Capital compara o desenvolvimento de plantas irrigadas com a água condensada e com água potável, gerando gráficos e estatísticas semanais. Com o avanço na competição e o suporte de mentorias, a equipe passou a desenvolver um aplicativo para incentivar o reaproveitamento dessa mesma água em residências. A instituição possui atualmente 13 projetos aprovados pela Fundect, envolvendo mais de 50 estudantes bolsistas em atividades científicas.

A cerca de 200 quilômetros dali, na Escola Estadual Caetano Pinto, em Miranda, a mesma inquietação deu origem ao projeto AquaPantanal. Conduzida com foco na preservação do bioma, a iniciativa investiga a viabilidade de incorporar a água condensada de ares-condicionados a um sistema de aquaponia, que integra a criação de peixes ao cultivo de hortaliças. O protótipo prevê inicialmente o uso de lambaris, com possibilidade de incluir espécies regionais como o pacu caso os parâmetros sejam adequados.

A unidade de ensino centenária, que atende alunos das zonas urbana e rural, busca aproximar a teoria da realidade do Pantanal. Os professores responsáveis apontam que o envolvimento dos estudantes estimula o pensamento científico, a comunicação e a resolução de problemas práticos do cotidiano, criando um ciclo de continuidade para que os alunos do segundo ano possam repassar o aprendizado aos futuros integrantes.

Agora, os projetos EcoHorta e AquaPantanal integram o grupo de 30 semifinalistas da competição nacional. As equipes participam de mentorias para aprimorar os trabalhos, enquanto aguardam a seleção dos dez finalistas, prevista para outubro, com etapas subsequentes de voto popular e anúncio dos vencedores programadas até o final do ano.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano