Vinte e cinco anos após Osama bin Laden planejar os ataques da Al Qaeda de 11 de setembro de 2001 a partir de um reduto no Afeganistão, o grupo fundamentalista Talibã reassumiu o poder no país e tenta projetar uma imagem modernizada perante a comunidade internacional.
Apesar dessa fachada diplomática que inclui contatos com autoridades ocidentais e o uso de novas tecnologias, o Talibã não alterou sua ideologia fundamental. Diversos grupos armados, incluindo dezenas de membros da Al Qaeda, continuam abrigados no território afegão, mantendo vivas muitas das condições que antecederam os atentados de 2001.
Em Cabul, autoridades talibãs recebem visitantes estrangeiros e insistem no desejo de manter laços pacíficos e cumprir compromissos firmados em negociações anteriores de não permitir que o solo afegão volte a ser base para grandes ataques internacionais. Contudo, governos como os dos Estados Unidos e da União Europeia mantêm o ceticismo.
Relatórios da Organização das Nações Unidas e de agências de inteligência estimam que milhares de combatentes extremistas de diferentes facções continuem operando na região. Enquanto o Talibã combate a filial afegã do Estado Islâmico por meio de operações especiais, sua relação com a Al Qaeda permanece de tolerância e convivência mútua.
A presença contínua desses grupos extremistas sustenta o isolamento político internacional do regime afegão e alimenta tensões com vizinhos, especialmente com o Paquistão. Os militares paquistaneses têm respondido com ataques aéreos após o aumento de ações conduzidas pelo Talibã paquistanês a partir da fronteira.
Além dos conflitos regionais, o governo talibã enfrenta sinais incipientes de resistência interna, com grupos liderados por ex-militares afegãos reivindicando dezenas de ataques contra postos de controle. Esses episódios servem de lembrete de que, apesar da aparente tranquilidade urbana em Cabul, a estabilidade do atual regime permanece frágil e contestada.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
