A Polícia Civil de São Paulo conduziu os desdobramentos de uma investigação de grande repercussão sem incluir a produtora do filme ‘Dark Horse’ nos pedidos formais de quebra de sigilo financeiro enviados ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A apuração busca esclarecer se recursos públicos obtidos por meio de contratos municipais foram utilizados para financiar o longa-metragem biográfico sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O inquérito foi formalmente instaurado em 31 de março, após solicitação prévia do Ministério Público do Estado de São Paulo, mas os trâmites enfrentaram lentidão e restrições metodológicas. Embora as suspeitas iniciais tenham partido de conexões envolvendo produções audiovisuais e organizações sem fins lucrativos, a corporação policial optou inicialmente por concentrar seus esforços no exame de contratos firmados com o Instituto Conhecer Brasil (ICB), deixando a origem do dinheiro da produtora Go Up Entertainment em um plano secundário.
As gravações do filme ocorreram entre outubro e dezembro de 2025. O vínculo que motivou a suspeita reside no fato de que a produtora executiva do projeto, Karina Ferreira da Gama, também preside o ICB. A organização recebeu dezenas de milhões de reais da Prefeitura de São Paulo, na gestão de Ricardo Nunes, para a implementação de pontos de acesso gratuito à internet em comunidades vulneráveis, pelo programa Wi-Fi Livre SP.
Apesar de apontar semelhanças estruturais e operacionais entre o instituto e a produtora — como o compartilhamento de endereço e o comando sob a mesma dirigente —, a polícia pontuou em manifestações oficiais que a verificação detalhada sobre o financiamento do longa estaria sob a alçada da persecução penal federal. A Polícia Federal passou a atuar de forma paralela e obteve autorização do Supremo Tribunal Federal para o compartilhamento das provas reunidas pela instância estadual.
Em requerimentos encaminhados à Justiça para a obtenção de relatórios de inteligência financeira, a Polícia Civil limitou o escopo às contas de Karina Ferreira da Gama e do Instituto Conhecer Brasil. O magist responsável pelo caso questionou a ausência de um lastro documental mais robusto que justificasse as suspeitas e exigiu esclarecimentos adicionais sobre a inclusão da dirigente e a suposta correlação dos recursos públicos com a empresa cinematográfica.
Enquanto os peritos continuam a analisar os dados apreendidos em buscas realizadas em meados do ano, o caso caminha para uma centralização sob a supervisão do STF. A defesa e os representantes das entidades investigadas seguem acompanhando os desdobramentos do inquérito, enquanto órgãos de controle buscam rastrear o fluxo financeiro das verbas públicas em questão.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
