A Diageo, conglomerado detentor de marcas renomadas como Johnnie Walker e Smirnoff, decidiu implementar uma solução tecnológica inédita para combater a falsificação de bebidas no mercado brasileiro. A iniciativa surge na esteira de uma série de intoxicações graves associadas ao metanol registradas no ano anterior, que alertaram autoridades e o setor privado sobre os riscos do consumo de produtos adulterados.
A principal ferramenta dessa estratégia é o chamado Selo Drink Seguro, fundamentado em uma tecnologia de impressão digital, conhecida no meio técnico como fingerprint. O recurso foi aplicado em todo o portfólio de destilados da companhia, abrangendo categorias como uísque, gim, vodca, tequila, licor e rum, com o intuito de facilitar a fiscalização por parte dos próprios consumidores em estabelecimentos comerciais e gôndolas.
Para realizar a checagem, o cliente precisa apenas apontar a câmera de um smartphone para o selo impresso na embalagem. Por meio de inteligência artificial, o sistema analisa o código e exibe a mensagem de confirmação caso o produto seja legítimo. Se o selo apresentar irregularidades ou não for reconhecido, o sistema direciona o usuário para um formulário de notificação com detalhes sobre a mercadoria suspeita.
O desenvolvimento da tecnologia ficou a cargo da Securetrace, a mesma empresa responsável pelos elementos holográficos presentes na nota de R$ 100 e pelas películas de segurança do passaporte brasileiro. O sistema dispõe de mais de 27 trilhões de combinações possíveis para garantir a confiabilidade. A campanha oficial de divulgação tem início previsto, enquanto alguns rótulos já circulam pelo país com a expectativa de cobrir 49 itens do portfólio até o encerramento do ano.
Dados do setor indicam que a falsificação responde por uma parcela considerável do mercado de bebidas. Estatísticas do Ministério da Saúde apontam dezenas de intoxicações e óbitos decorrentes do consumo de metanol em períodos recentes, cenário que motivou a aceleração de medidas preventivas pela indústria formal para proteger a saúde pública e fortalecer o combate ao comércio ilegal.
Apesar do avanço tecnológico, lideranças corporativas ressaltam que o selo digital atua como uma barreira importante, mas não elimina o problema isoladamente. A exigência por legislações mais rígidas e penas severas para os crimes de adulteração é apontada como um pilar complementar indispensável para coibir práticas criminosas que afetam diretamente a sociedade e a economia formal.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
