O preço do petróleo registrou alta superior a 2% nesta terça-feira (15), alcançando a faixa de US$ 108 após encerrar a sessão anterior cotado a US$ 106,48. O movimento do mercado internacional reflete diretamente a reação do governo iraniano, que descartou categoricamente qualquer possibilidade de negociação com os Estados Unidos, contrariando declarações recentes do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre uma suposta abertura ao diálogo.
O barril do tipo Brent, que serve como referência mundial para o setor, atingiu US$ 108,43, marcando um acréscimo de 2,54% por volta das 6h30 no horário de Brasília, após oscilar na casa dos US$ 107 durante as primeiras horas da madrugada. Em paralelo, o petróleo WTI (West Texas Intermediate), empregado como parâmetro nos Estados Unidos, era negociado a US$ 103,52, o que representava uma valorização de 2,1% perto das 7h.
A escalada nos preços veio como resposta imediata às declarações de Mohsen Rezaei, dirigente máximo da principal instância de segurança do Irã. Rezaei condicionou o retorno de eventuais negociações de paz ao fim definitivo do conflito e à aceitação integral das demandas impostas por Teerã, alertando para que os mercados não se deixassem confundir pelos sinais dúbios vindos da administração dos Estados Unidos.
Entre as exigências do regime iraniano estipuladas para o avanço de qualquer entendimento estão o encerramento do conflito deflagrado em 28 de fevereiro, a suspensão de investidas contra aliados regionais como o grupo Hezbollah, no Líbano, e o levantamento do bloqueio imposto aos portos iranianos. Teerã também reivindica reparações financeiras pelos prejuízos da guerra, a retirada das sanções econômicas e a desoneração de ativos financeiros que continuam congelados no exterior.
O cenário de incertezas geopolíticas se agravou com a manutenção de ataques atribuídos aos houthis, grupo iemenita alinhado ao governo iraniano, contra instalações estratégicas na Arábia Saudita, incluindo refinarias e oleodutos. Em resposta às ofensivas, autoridades sauditas asseguraram que darão uma resposta enérgica, ao mesmo tempo em que o príncipe-herdeiro Mohammed bin Salman manteve reuniões com o comando militar norte-americano para avaliar os desdobramentos na segurança regional.
Como reflexo direto da instabilidade, o governo de Omã comunicou o adiamento de um encontro diplomático planejado entre o Irã e nações do golfo Pérsico para debater a situação no estreito de Hormuz. Adicionalmente, diplomatas europeus indicaram a realização de reuniões no âmbito do Conselho de Segurança da ONU voltadas a discutir a ampliação dos impactos do conflito para rotas marítimas comerciais vitais ao escoamento da produção energética global.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
