O 10º Batalhão de Polícia Militar (BPM) de Apucarana realizou, na manhã desta terça-feira (15), uma comovente cerimônia de despedida para o cão policial Rintin Tin. O animal, que pertencia à raça pastor belga malinois e estava em plena atividade na corporação, faleceu de forma repentina no último domingo (13). A homenagem ocorreu no Canil Setorial da unidade e reuniu policiais militares e profissionais da equipe veterinária, que se uniram para reconhecer os relevantes serviços prestados pelo K9 à segurança pública de toda a região.
Com apenas seis anos de idade, Rintin Tin era considerado um animal saudável, com a carteira de vacinação em dia e histórico recente de participação nos desfiles cívicos das comemorações do 7 de Setembro. A médica veterinária voluntária do canil, Raquel Scaff, relatou que a morte súbita surpreendeu a todos na corporação. Como o cão foi encontrado sem vida no início do dia, a suspeita preliminar aponta para complicações de ordem cardíaca ou pulmonar, embora o corpo tenha sido encaminhado para necropsia a fim de confirmar se havia alguma patologia preexistente.
A trajetória de Rintin Tin esteve intimamente ligada à vida do seu condutor, o policial Thiago Augusto, que o acompanhou desde os seus primeiros dias de vida. O animal chegou ao batalhão quando tinha apenas 32 dias e passou a ser treinado exclusivamente pelo militar. Essa convivência intensa extrapolou os limites do quartel, fazendo com que o cão frequentasse a residência de Thiago e convivesse diretamente com o filho do policial, nascido no mesmo período.
Ao longo dos anos, o condutor identificou no animal uma habilidade singular e de grande valia para a corporação: a busca e localização de pessoas. Esse direcionamento técnico resultou em operações de grande repercussão para o batalhão. Entre os episódios de destaque, o policial relembrou uma ocorrência marcante em que o animal auxiliou na localização bem-sucedida de um suspeito em fuga no meio de uma área de mata, situada no município de Mauá da Serra.
A versatilidade e a inteligência do cão nas diferentes frentes de atuação policial também eram motivos de admiração diária. O condutor detalhou que o animal sabia alternar o comportamento conforme o ambiente, mantendo postura firme na viatura, adotando uma postura mais branda em visitas a escolas e demonstrando foco redobrado em operações de faro em residências ligadas ao tráfico de drogas. Para o militar, a convivência diária com o parceiro de quatro patas também gerou aprendizados pessoais profundos sobre empatia e conduta.
O legado deixado pelo animal na corporação foi enfatizado pelo Tenente Jair, que ressaltou a profundidade do vínculo afetivo e profissional que se forma entre o homem e o cão no cotidiano da atividade policial. O comandante explicou que, por trás da simpatia que despertavam junto à comunidade, os cães K9 passam por rotinas rigorosas de adestramento diário, fundamentais para o sucesso de missões que envolvem apreensões de armamentos, entorpecentes e a captura de suspeitos. Apesar da dor da perda e da dificuldade em conciliar a exigência da racionalidade militar com o luto, a corporação prestou a devida homenagem para seguir adiante na missão de servir à população.
Fonte: tnonline.uol.com.br
