O vazio sanitário da soja chega ao fim nesta terça-feira (15) em todo o estado de Mato Grosso do Sul. Com o encerramento do período de restrição, os produtores rurais ficam oficialmente autorizados a iniciar a semeadura da nova safra 2026/2027 a partir desta quarta-feira (16), com a janela de plantio estendida até o dia 31 de dezembro.
A medida de controle, que havia tido início em 15 de junho, determinava a proibição rigorosa da manutenção de plantas vivas de soja no campo, incluindo as chamadas plantas voluntárias, conhecidas popularmente como guaxas ou tigueras. O principal objetivo dessa estratégia sanitária é interromper de forma contínua o ciclo de vida do fungo causador da ferrugem-asiática, reduzindo consideravelmente a pressão da doença sobre as lavouras da safra seguinte.
Apesar da liberação imediata a partir de quarta-feira, especialistas apontam que o ritmo do plantio não deve ocorrer de maneira uniforme em todo o território estadual. A previsão climática elaborada para o trimestre de setembro a novembro aponta acumulados de chuvas previstos para ficarem próximos ou acima da média histórica em Mato Grosso do Sul, mas com um alerta importante quanto à distribuição irregular das precipitações.
Dessa forma, a velocidade e o avanço da semeadura dependerão diretamente das condições específicas de umidade e precipitação registradas em cada microrregião produtora. Paralelamente ao reinício das atividades no campo, a nova temporada agrícola traz consigo o desafio de custos operacionais bastante elevados para os agricultores sul-mato-grossenses.
Um levantamento detalhado divulgado pela Aprosoja/MS aponta que o custo total de produção da soja está calculado em R$ 5.024,82 por hectare. O estudo toma como base uma produtividade média estimada em 52,4 sacas por hectare — patamar que representa a média das últimas cinco safras — e considera uma cotação de referência de R$ 119,52 por saca do grão.
Diante desse panorama econômico, o produtor precisará comercializar o equivalente a 42,04 sacas por hectare apenas para cobrir todas as suas despesas de produção. Caso a lavoura atinja a produtividade projetada de 52,4 sacas, a margem líquida estimada será de R$ 1.238,03 por hectare. Para os agricultores que operam em áreas arrendadas, o cenário financeiro apresenta-se ainda mais desafiador: considerando um arrendamento médio de 15 sacas por hectare, o custo total salta para R$ 6.817,62 por hectare, exigindo uma produtividade mínima de 57,04 sacas para alcançar o ponto de equilíbrio.
Fonte: www.campograndenews.com.br
