O ministro da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai, Jalil Rachid, chamou de “golpe” contra sua gestão as acusações de que quatro integrantes da cúpula do órgão vazaram informações e ajudaram a proteger a organização atribuída ao ex-deputado Eulalio Gomes, o Lalo Gomes. A reação ocorreu após uma série de buscas e ordens de prisão expedidas na região de fronteira, em Pedro Juan Caballero, cidade vizinha de Ponta Porã, a 313 quilômetros de Campo Grande.
Em entrevista concedida a uma emissora de rádio local nesta terça-feira (15), Rachid também direcionou críticas à atuação do Ministério Público paraguaio. Segundo o ministro, as denúncias partiriam de ex-integrantes da Senad que foram retirados por ele da instituição, relacionando o caso a uma estrutura antiga do órgão. Ele argumentou que os alvos atuais foram nomeados durante sua administração e ainda acusou uma promotora-adjunta de exercer influência indevida sobre os investigadores, embora não tenha apresentado provas.
A investigação atinge diretamente o diretor-geral antidrogas Hugo Derlis Baptista Báez, o diretor de Inteligência Cristian Porfirio Amarilla Cabaña, a chefe do Departamento de Investigação do Crime Organizado Alicia Marlene Vázquez Samaniego e o coronel Aldo Osmar Pintos Martínez, ex-comandante das Forças Especiais da Senad. A lista de investigados também inclui Helga Lizany Concepción Solís Gómez, que é sobrinha de Lalo Gomes e atua como assistente do Ministério Público.
De acordo com os apontamentos do Ministério Público paraguaio, Helga atuou entre 2019 e 2023 como pessoa de confiança do grupo de Lalo Gomes. As apurações indicam que ela utilizava a função no sistema de Justiça para obter informações privilegiadas, interferir em trâmites processuais e buscar decisões favoráveis a aliados da organização. Os investigadores também sustentam que ela mantinha contatos frequentes com promotores, juízes e defensores para barrar o avanço de casos que pudessem atingir o esquema.
Entre os episódios destacados pelos investigadores está a Operação Sanctus, realizada em dezembro de 2023, que tentou capturar o brasileiro Ronaldo Mendes Nunes. Conforme o inquérito, Helga teria antecipado informações sobre a operação a Lalo Gomes e ao primo Alexandre Rodrigues Gomes antes da chegada das equipes policiais. Após a fuga de Ronaldo, ela teria buscado apoio de servidores da Senad para apagar elementos que pudessem ligar o ex-deputado ao caso.
As suspeitas contra os servidores da Senad apontam que Hugo Baptista manteve diálogos com Lalo antes e depois do episódio da fuga. Aldo Pintos é apontado como responsável pelo fornecimento de dados internos da instituição, enquanto Cristian Amarilla é acusado de repassar informações sensíveis sobre apurações de narcotráfico e auxiliar na obstrução da prisão do investigado brasileiro, além de supostamente omitir menções a Lalo Gomes em relatórios oficiais de outras operações de grande repercussão na fronteira.
Fonte: www.campograndenews.com.br
