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Depressão: o câncer na alma que ninguém consegue enxergar

A psicóloga Cristiane Lang discute o preconceito e os desafios invisíveis enfrentados por quem lida com a depressão no dia a dia.

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Depressão: o câncer na alma que ninguém consegue enxergar

Existem doenças que o mundo aprendeu a respeitar porque deixam marcas visíveis. Um diagnóstico de câncer, uma perna quebrada, uma cirurgia ou um corpo debilitado despertam delicadeza diante da dor, mas quando a enfermidade acontece na mente, ainda há quem duvide e trate o sofrimento como escolha ou falta de força de vontade.

A pessoa deprimida nem sempre aparenta estar mal. Ela pode trabalhar, cuidar da família, responder mensagens, fazer piadas e cumprir obrigações enquanto, por dentro, sente que está desaparecendo aos poucos, exigindo um esforço monumental para realizar tarefas cotidianas básicas como sair da cama.

Conselhos comuns como reagir, pensar positivo ou enumerar as coisas boas da vida ignoram que a depressão não desaparece por decreto. Ter uma vida confortável ou motivos para ser grato não imuniza ninguém, pois existe um abismo entre saber racionalmente que deveria estar feliz e conseguir sentir essa felicidade.

Além do peso da própria doença, o paciente frequentemente sofre com a culpa e a vergonha de não conseguir esconder o mal-estar ou de não ter energia para corresponder às expectativas alheias, carregando um fardo duplo em meio a velhos preconceitos sobre fraqueza de caráter.

A travessia de uma depressão profunda difere radicalmente da tristeza comum, instaurando um vazio persistente onde o interesse pelas coisas se esvai e a solidão se faz presente mesmo em meio a multidões, exigindo que a sociedade substitua julgamentos por escuta e presença real.

Por fim, a psicóloga reforça que a depressão é uma condição legítima de saúde que demanda tratamento adequado, combate ao estigma social e uma rede de apoio disposta a acreditar na dor do outro sem cobranças excessivas.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano