Um levantamento conduzido pelo Instituto Latino-Americano de Sepse (Ilas) em conjunto com o Instituto Datafolha revelou que o conhecimento da população brasileira a respeito da sepse registrou avanços nos últimos 12 anos. Contudo, o entendimento sobre a gravidade da condição ainda acende alertas, especialmente entre as fatias mais vulneráveis da sociedade, apontando para a necessidade urgente de campanhas educativas e de maior divulgação pública.
A investigação estruturou-se a partir de três estudos transversais realizados em momentos distintos, totalizando 6.312 entrevistas com cidadãos de 16 anos ou mais em cerca de 130 municípios brasileiros. O indicador de conhecimento básico adequado — definido como o ato de já ter ouvido o termo e saber defini-lo corretamente — subiu de 2,6% em 2014 para 5,8% em 2017, alcançando 10,3% na medição mais recente de 2026.
Apesar da melhora gradual, a percepção da sepse como uma emergência médica permanece baixa e distante de outros problemas de saúde conhecidos. Nos três períodos avaliados, apenas uma parcela reduzida da população a identificou como tal: 18,4% em 2014, 15,3% em 2017 e 17,7% em 2026. Em contraste marcante, o reconhecimento popular sobre o infarto agudo do miocárdio e seus sintomas ultrapassa sistematicamente a marca de 87%.
A pesquisa detalha ainda que a compreensão sobre as sequelas e a gravidade do quadro séptico continua limitada. Em 2026, 70% dos participantes reconheceram que o diagnóstico e o tratamento precoces aumentam significativamente as chances de sobrevivência. Por outro lado, apenas 24,4% tinham ciência de que a doença pode deixar sequelas duradouras, como fadiga crônica, perda de memória, depressão ou limitações cognitivas e físicas, enquanto 20,2% disseram nunca ter ouvido falar em tais consequências.
Especialistas reforçam que a sepse consiste em uma resposta desregulada do organismo a uma infecção, independentemente de sua origem ser bacteriana, viral ou fúngica, culminando na disfunção de múltiplos órgãos e figurando como a principal causa de mortes em ambientes hospitalares. A médica Flávia Ribeiro Machado, coordenadora-geral do Ilas, destaca que a falta de familiaridade faz com que os pacientes demorem a procurar socorro médico imediato, perdendo tempo valioso.
Diante desse cenário, pesquisadores defendem a expansão de estratégias educacionais que alcancem desde os bancos escolares até os meios de comunicação de massa e redes sociais. Para os especialistas, a mobilização pública em torno de sobreviventes e o engajamento de figuras públicas são fundamentais para transformar a sepse em um tema amplamente compreendido, tal como já ocorre com outras emergências médicas no país.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
