O reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo governo federal, foi recebido com ressalvas por economistas. Apesar de o aumento ser considerado compatível com a reposição da inflação acumulada no período, especialistas consultados questionam o momento escolhido para o anúncio e alertam para possíveis impactos sobre as contas públicas, a inflação e os juros nos próximos anos.
O reajuste começa a valer no próximo mês e eleva o valor mínimo do programa de R$ 600 para R$ 691. Já o benefício médio, segundo o Ministério do Planejamento, passa de R$ 675 para R$ 777. O anúncio acontece a 17 dias do primeiro turno das eleições presidenciais, marcado para 4 de outubro, gerando debates sobre o caráter político da medida.
Segundo o governo, o reajuste de 15% recompõe parte da perda de poder de compra provocada pela inflação acumulada desde 2023, que chegou a 17% até agosto deste ano. A equipe econômica nega que a decisão tenha motivação eleitoral, mas especialistas apontam que o calendário gera inevitáveis comparações com o cenário político observado em pleitos anteriores.
De acordo com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o reajuste custará R$ 5,8 bilhões em 2026, considerando os pagamentos de outubro a dezembro. Em 2027 e 2028, o aumento anual da despesa será de R$ 22,7 bilhões. O montante elevará as despesas totais do programa de R$ 157,1 bilhões para R$ 179 bilhões no próximo ano, representando uma alta de 13,9%.
Especialistas alertam que, embora o impacto seja limitado no curtíssimo prazo de 2026, a expansão das despesas a partir de 2027 pressiona um cenário fiscal já desafiador. Além disso, o aumento de gastos pode afetar a percepção de risco dos investidores, encarecer a dívida pública, dificultar a redução dos juros e pressionar a inflação, indo na contramão da política monetária do Banco Central.
Por fim, analistas sugerem que a adoção de regras automáticas de reajuste baseadas na inflação evitaria que decisões de caráter social fiquem atreladas ao calendário eleitoral, trazendo maior previsibilidade e segurança técnica para as contas públicas e para o planejamento a longo prazo do país.
Fonte: g1.globo.com
