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‘Acho que vai envolver Milton Leite’, disse investigado sobre substituição de empresa suspeita de elo com PCC

Investigação da Polícia Civil e do Ministério Público aponta que o mandado de prisão contra o ex-vereador Milton Leite se baseia em menções ao seu nome em áudios e depoimentos relacionados a empresas investigadas por supostos vínculos com o PCC.

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‘Acho que vai envolver Milton Leite’, disse investigado sobre substituição de empresa suspeita de elo com PCC

Documentos elaborados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo revelam que o mandado de prisão expedido contra o ex-vereador Milton Leite (União Brasil) fundamentou-se essencialmente em duas ocasiões em que terceiros mencionaram o seu nome. As referências constam em registros de áudios extraídos de aparelhos celulares apreendidos e em depoimentos prestados por policiais à Corregedoria da Polícia Militar.

As menções ao político estão associadas a suspeitas de conexões com empresas investigadas no âmbito da Operação Fim da Linha, deflagrada em abril de 2024 para apurar a infiltração da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo de ônibus da capital paulista. Conforme os autos, nenhuma outra evidência material, como comprovantes de pagamentos ou vínculos societários formais, consta nas representações apresentadas pelos órgãos de investigação.

O ex-vereador, que não foi localizado em sua residência no momento da ação, informou por telefone que estava fora de São Paulo e negou veementemente qualquer envolvimento com o crime organizado, declarando que se entregaria às autoridades. A ordem de prisão foi determinada pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo, após recurso da Promotoria contra uma decisão inicial de primeira instância que havia negado o pedido de encarceramento.

A primeira citação a Milton Leite ocorreu em conversas interceptadas de julho de 2024, nas quais José Daniel Satilite, sócio da Translider e apontado como integrante do PCC, discutia com um advogado sobre a substituição da empresa UPBus em concessões municipais. Nos diálogos, Satilite avaliava que seria necessário alinhar as articulações com o então presidente da Câmara Municipal, apontando que o processo envolveria o parlamentar.

Outro elemento citado nos relatórios envolve depoimentos prestados por policiais militares. Em fevereiro de 2026, um militar afirmou à Justiça Militar que ouviu dizer que o ex-vereador seria o verdadeiro proprietário da Transwolff, operando por meio de diretores que atuariam como laranjas, embora tenha admitido não possuir provas materiais. Por outro lado, um capitão que trabalhou no gabinete da presidência da Câmara negou qualquer relação entre Milton Leite e a empresa de ônibus.

As representações do Ministério Público destacam que o contexto político e as gestões de órgãos como a SPTrans coincidiram com os principais escândalos de infiltração do transporte público pela criminalidade. Os investigadores apontam um relacionamento estreito entre o crime organizado e figuras públicas durante o período investigado, desdobramentos que continuam sob escrutínio da Justiça paulista.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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