Uma ampla investigação conduzida pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MP-SP) revelou que a suposta infiltração da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo atinge todas as concessionárias responsáveis pelas linhas de distribuição e atendimento nos bairros da capital paulista. A constatação consta na representação que fundamentou a operação policial e judicial realizada recentemente.
O sistema de transporte da cidade é dividido em três lotes distintos. O primeiro engloba veículos de grande porte que realizam ligações entre os principais eixos viários. O segundo, focado na articulação regional, utiliza ônibus de médio porte para conectar os bairros aos corredores viários. Já o terceiro lote abrange com exclusividade as linhas locais de bairro, setor onde se concentram as empresas sob suspeita de ligação com o crime organizado.
De acordo com os órgãos de investigação, dez concessionárias operam atualmente as linhas do terceiro lote, além de menções a outras empresas com contratos já encerrados. As apurações apontam diferentes níveis de proximidade ou conexões com esquemas ilícitos, abrangendo desde lavagem de dinheiro até extorsões e homicídios vinculados a diretores e sócios das companhias investigadas.
A gestão municipal informou a criação de um grupo de trabalho dedicado a analisar rigorosamente os contratos, documentos e vínculos apontados pela operação policial. A Prefeitura de São Paulo reforçou que não tolera irregularidades e que continuará prestando total colaboração às autoridades competentes, tendo determinado inclusive o afastamento imediato de dirigentes de uma das empresas citadas.
Enquanto algumas das viações citadas nos documentos do Ministério Público optaram por não se manifestar de imediato ou alegaram que os seus representantes estavam em reuniões e treinamentos, os proprietários e assessorias de outras empresas negaram veementemente qualquer envolvimento com atividades ilícitas, pontuando que os recursos financeiros provêm exclusivamente dos contratos firmados com o poder público municipal.
As investigações prosseguem para esgotar todas as linhas de apuração sobre o envolvimento de agentes privados e figuras públicas com o esquema. A Polícia Civil e o MP-SP continuam analisando os materiais apreendidos nos diversos endereços alvos de mandados de busca e apreensão para dimensionar o alcance do crime organizado na estrutura do transporte público paulistano.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
