O regime da Venezuela e setores da oposição estão próximos de alcançar um acordo estratégico para transferir as reservas de ouro do banco central venezuelano, avaliadas em aproximadamente US$ 4 bilhões — o equivalente a cerca de R$ 20,56 bilhões —, dos cofres do Banco da Inglaterra para o Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, localizado em Nova York.
De acordo com informações obtidas por fontes próximas às negociações, o entendimento em discussão prevê que a Venezuela assegure o controle legal dos ativos, embora não receba autorização para comercializar o metal imediatamente. Em vez disso, as 31 toneladas de ouro armazenadas em Londres poderiam funcionar como garantia para a captação de empréstimos internacionais voltados a custear despesas governamentais e a reconstrução do país após os severos abalos sísmicos registrados em junho.
Essa tratativa em torno das reservas metálicas representa um dos primeiros frutos tangíveis de um novo processo de diálogo entre a liderança interina, representada por Delcy Rodríguez, e grupos opositores que contam com apoio dos Estados Unidos. Caso seja formalizado, o pacto encerrará uma longa disputa jurídica iniciada em 2019, período em que potências ocidentais passaram a reconhecer o opositor Juan Guaidó como presidente legítimo do país sul-americano.
A reaproximação diplomática e econômica ocorre na sequência da operação conduzida pelos EUA em janeiro, que resultou na captura de Nicolás Maduro e na posterior flexibilização de restrições econômicas aplicadas à Venezuela. Meses depois, em abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) restabeleceu laços formais com Caracas, permitindo que a administração local voltasse a movimentar recursos mantidos na instituição financeira global.
Enquanto a liderança interina busca recuperar o fôlego da economia nacional e pavimentar o caminho para futuras eleições, delegações políticas da oposição têm mantido encontros diretos em Caracas com comitês ligados à Assembleia Nacional. Os opositores, no entanto, insistem na implementação de salvaguardas rígidas para evitar desvios e garantir que a gestão dos recursos fique sob tutela rigorosa nos Estados Unidos.
Paralelamente às discussões sobre o ouro, Reino Unido e Venezuela anunciaram o fortalecimento das relações diplomáticas bilaterais, com planos de reatar a presença de um embaixador britânico em Caracas. Representantes do governo do Reino Unido e do Banco da Inglaterra indicaram que o desfecho final da transferência ainda dependerá de novas deliberações e entendimentos formais junto à Justiça britânica.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
