O comportamento de comentaristas em redes sociais tem sido marcado por uma superficialidade alarmante e por uma incapacidade crônica de processar qualquer argumento que desafie suas convicções pré-estabelecidas. Em muitos casos, a reação ocorre de forma impulsiva, limitando-se ao título e a um único parágrafo, sem qualquer tentativa de reflexão mais profunda.
Ao se deparar com análises que divergem de suas crenças, o internauta costuma substituir dados amplos por anedotas de sua própria convivência imediata, utilizando o círculo pessoal como régua para medir a realidade de um país com mais de 200 milhões de habitantes.
No centro desse debate está a dificuldade de compreender que análises de conjuntura tratam de tendências coletivas e fenômenos sociais amplos, e não de exceções pontuais de pequenos grupos ou de indivíduos isolados.
A discussão recente em torno de episódios políticos e institucionais do país escancarou essa cegueira seletiva, com setores políticos adotando posturas contraditórias dependendo da conveniência do momento, seja em relação à atuação de autoridades do Judiciário ou à cobertura da imprensa.
Quando revelações jornalísticas trazem à tona conversas reservadas envolvendo figuras de proa da República, a reação de militantes muitas vezes opta por atacar a apuração e o mensageiro, copiando práticas de desqualificação que outrora condenavam em adversários.
Em última análise, o debate público saudável exige a maturidade de observar o tabuleiro político com base nos fatos concretos e na realidade dos movimentos sociais, superando o conforto das bolhas digitais e o eco do próprio umbigo.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
