A secretária municipal de Assistência Social de São Paulo, Eliana Gomes, convocou dirigentes de entidades que dependem de repasses públicos para um jantar realizado na noite de quinta-feira (17). O encontro, contudo, revelou-se cercado de forte apelo eleitoral, ocorrendo em um ambiente decorado com cartazes de campanha da primeira-dama e candidata a deputada estadual Regina Nunes (MDB), além de peças promocionais do ex-secretário de Habitação Sidney Cruz (MDB), que concorre a deputado federal.
O convite enviado formalmente às gestoras das instituições não mencionava qualquer cunho político ou eleitoral. O texto distribuído tratava a ocasião apenas como um diálogo voltado para debater os desafios e as perspectivas do setor de assistência social na capital paulista. No entanto, a escolha do local — a tradicional Pizzaria Moraes, localizada no bairro do Bexiga — e a ornamentação interna surpreenderam imediatamente as convidadas ao chegarem ao salão.
No local, fotos obtidas pela reportagem registraram a presença de cartazes eleitorais e de um telão exibindo imagens de campanha de Regina Nunes e Sidney Cruz ao lado de um palco. Foi nesse cenário que a secretária anunciou um reajuste de 5,5% nos repasses financeiros destinados às entidades do setor, reivindicação antiga da categoria que havia realizado protestos recentes na região central da cidade.
O anúncio do reajuste ocorreu poucos dias após a publicação de um decreto municipal, na terça-feira (15), que promoveu o remanejamento de verbas de outras pastas para reforçar o orçamento da assistência social. Conforme prometido pela secretária durante o evento, a portaria com os índices oficiais deve ser publicada formalmente no Diário Oficial do município na próxima segunda-feira (21).
Questionada sobre o episódio, a Prefeitura de São Paulo declarou por meio de nota que a administração municipal não orienta, autoriza ou compactua com a convocação de servidores ou pessoas ligadas à gestão pública para atividades político-eleitorais. Inicialmente, a defesa informou que o jantar teria sido custeado pela própria secretária, mas posteriormente a versão foi alterada para apontar que os custos foram arcados pelos próprios convidados, gerando divergências com relatos colhidos de testemunhas presentes.
O caso se soma a outras polêmicas envolvendo o alto escalão da prefeitura e a campanha eleitoral em curso. O prefeito Ricardo Nunes e a primeira-dama já são alvos de investigações de improbidade administrativa em virtude de denúncias anteriores relacionadas ao uso de servidores comissionados em atividades de campanha. A Justiça Eleitoral segue acompanhando os desdobramentos do cenário político na capital.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
