As filhas da artista Dina Gottliebova Babbitt — Michele Babbitt Kane e Karin Wendy Babbitt — ingressaram com uma ação judicial nos Estados Unidos contra o Museu Estatal de Auschwitz-Birkenau. O objetivo do processo é obter a devolução de sete retratos em aquarela criados por sua mãe enquanto ela tentava sobreviver como prisioneira judia no campo de extermínio nazista durante a década de 1940.
Durante o período em que esteve aprisionada, Dina foi forçada a pintar aquarelas em condições precárias para Josef Mengele, o médico nazista amplamente conhecido como o ‘Anjo da Morte’. Ao longo de sua vida, a artista tentou incessantemente recuperar as obras, afirmando o desejo de segurá-las novamente em suas mãos, mas o museu polonês sempre se recusou a entregá-las sob a justificativa de que o valor histórico e educativo dos itens se sobrepõe ao direito de propriedade dos herdeiros.
A ação foi formalizada no Tribunal Distrital dos Estados Unidos para o Distrito Central da Califórnia. Os representantes legais da família apontam que a artista jamais vendeu, transferiu ou abriu mão voluntariamente das pinturas, ressaltando que as obras continuam em posse da instituição estatal mais de oito anos após a morte de Dina, ocorrida em 2009 aos 86 anos.
Em contrapartida, o Memorial de Auschwitz defendeu sua posição por meio de seu porta-voz, Pawel Sawicki. A instituição argumenta que os retratos representam documentos únicos associados aos experimentos criminosos de Mengele e constituem registros cruciais da perseguição nazista contra as vítimas, especialmente da população roma. O museu baseia sua defesa na legislação polonesa e em seu próprio estatuto, sustentando que a perda de tais artefatos do acervo público configuraria um dano irreparável.
Nascida na Tchecoslováquia em 1923, Dina Gottliebova foi enviada para campos de concentração juntamente com sua mãe. Ela chamou a atenção de Mengele após produzir ilustrações infantis, tornando-se ferramenta para registrar traços fisionômicos de prisioneiros que o médico selecionava como cobaias para suas teses pseudocientíficas. A artista concordou com a exigência sob a condição de que ela e sua mãe fossem poupadas das câmaras de gás. Todas as pessoas retratadas por ela foram posteriormente assassinadas.
Após a libertação, Dina migrou para os Estados Unidos e construiu carreira como assistente de animação em Hollywood, colaborando com estúdios na criação de personagens populares. Após esgotarem tentativas diplomáticas de restituição, as filhas recorreram ao Código de Processo Civil da Califórnia para ajuizar o caso, buscando o reconhecimento da propriedade legítima, a restituição das obras e o pagamento de indenização por danos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
