As despesas totais do Poder Judiciário brasileiro alcançaram um patamar recorde em 2025, somando R$ 164,6 bilhões. O montante representa o maior valor registrado desde o início da série histórica do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em 2009. Os dados detalhados foram divulgados por meio do tradicional relatório Justiça em Números, evidenciando uma expansão expressiva puxada sobretudo pela alta nos custos de pessoal.
De acordo com o levantamento oficial, os gastos com recursos humanos atingiram R$ 148,5 bilhões no ano passado, o equivalente a impressionantes 90,2% de toda a despesa do Judiciário. Desse total com pessoal, a maior fatia foi direcionada ao pagamento de subsídios básicos, enquanto uma parcela considerável correspondeu a benefícios e a verbas indenizatórias que frequentemente ultrapassam os limites constitucionais.
As chamadas verbas indenizatórias e adicionais somaram R$ 9,8 bilhões em 2025, valor quase duas vezes superior aos investimentos realizados pelos tribunais em tecnologia e inovação no mesmo período. Esses penduricalhos, que englobam auxílios e gratificações diversas, mantêm o debate aceso sobre os supersalários no setor público, tema que inclusive motivou decisões recentes de controle por parte do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em contrapartida à trajetória de alta nos dispêndios, a arrecadação da Justiça apresentou retração no período. Os ingressos financeiros somaram R$ 68,2 bilhões — o que cobriu apenas 41% dos gastos totais —, refletindo uma queda de 8,9% em relação ao ano anterior. Os recursos provêm de custas processuais, taxas, emolumentos cartorários e impostos relacionados a inventários e execuções fiscais.
Especialistas e economistas apontam que, apesar dos pesados investimentos realizados em ferramentas de informática e inteligência artificial para otimizar a tramitação de processos, a digitalização ainda não se traduziu em uma contenção ou redução das despesas globais. Pelo contrário, avalia-se que parte da economia operacional tem sido canalizada para a ampliação de vantagens remuneratórias aos servidores e magistrados.
O impacto orçamentário do Judiciário representou 1,3% do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2025, além de responder por 2,7% das despesas agregadas da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. O cenário de altos custos e controvérsias em torno de remunerações acima do teto também reflete no Índice de confiança pública, apontando desafios contínuos de transparência e governança institucional para o sistema de justiça brasileiro.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
