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Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios, apontam especialistas

Especialistas em segurança pública defendem a integração urgente de serviços para prevenir mortes de mulheres e criticam a falta de conexão entre órgãos do Estado.

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Fragmentação de dados dificulta prevenção de feminicídios, apontam especialistas

Ameaças, agressões e o descumprimento de medidas protetivas frequentemente antecedem um feminicídio. No entanto, especialistas avaliam que a fragmentação dos serviços de atendimento às vítimas faz com que oportunidades cruciais de intervenção sejam desperdiçadas, transformando sinais conhecidos pelo Estado em tragédias evitáveis.

Durante o 20º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a promotora Silvia Chakian, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), destacou a necessidade de as instituições atuarem de maneira integrada. Segundo ela, o fracionamento institucional impede que o poder público enxergue a trajetória completa da violência, limitando-se a registros parciais do problema.

Especialistas também apontam que mais de 70% dos municípios com menos de 100 mil habitantes não contam com serviços especializados de atendimento à mulher. Essa ausência de estrutura e de orçamento compatível com a gravidade da situação deixa milhares de vítimas sem locais adequados para buscar socorro, escancarando a omissão estatal nesses territórios.

Para superar o isolamento das ações, autoridades da área de segurança pública defendem a criação de redes coordenadas que unam delegacias, ministérios públicos, defensorias, saúde e educação em um fluxo unificado. A qualificação das equipes policiais para o acolhimento humanizado desde o primeiro sinal de hostilidade também é apontada como um fator essencial para impedir a escalada criminosa.

Além dos gargalos estruturais, o crescimento de discursos misóginos nas redes sociais tem agravado a brutalidade dos ataques contra mulheres, cooptando jovens cada vez mais cedo. Especialistas ressaltam que os índices de violência contra o público feminino estão diretamente ligados à desigualdade de gênero e exigem políticas públicas robustas de garantia de direitos fundamentais.

Os dados recentes refletem a gravidade do cenário: os registros de feminicídio aumentaram 4,7% em 2025, enquanto homicídios dolosos registraram queda. A subnotificação de ameaças anteriores, barreiras de acesso à Justiça e falhas expressivas na fiscalização do cumprimento de medidas protetivas de urgência continuam sendo barreiras determinantes que impedem uma ação eficaz para salvar vidas.

Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano