O ex-vereador Milton Leite, atualmente filiado ao União Brasil e preso no âmbito da Operação Vectura Corrupta, figura oficialmente como sócio e administrador de diversas empresas que acumulam, somadas, mais de R$ 52 milhões em capital social. A revelação veio à tona por meio de registros oficiais obtidos na Junta Comercial do Estado de São Paulo (Jucesp).
Os documentos revelam uma complexa engrenagem corporativa estruturada entre o ex-parlamentar, sua esposa Neusa Maria Paulino da Silva e seus filhos Milton Leite Filho, Alexandre Leite e Felipe Leite — sendo que os dois primeiros exercem mandatos como deputados atualmente. Parte expressiva desse patrimônio empresarial tem como elo a construtora da família, a Neumax.
A maior companhia do grupo é a Planevia Planejamento Projetos e Consultoria Técnica, cujo capital social foi elevado para R$ 34,4 milhões em março deste ano. Com essa alteração contratual, a Neumax passou a deter R$ 33,6 milhões da corporação, tendo Milton Leite cadastrado como administrador e representante legal da construtora. Outros membros da família e empresas parceiras também detêm cotas menores no negócio.
Entre as empresas parceiras da Planevia está a Centurion Empreendimentos e Participações, que pertence a Leandro Hereda Pinheiro, filho do ex-prefeito de São Caetano do Sul Paulo Pinheiro. Os laços entre as famílias também se estendem ao âmbito político e administrativo, visto que parentes dos Hereda já ocuparam cargos estratégicos na Câmara Municipal e em órgãos de controle vinculados à administração pública municipal.
Além da Planevia, a construtora Neumax sobressai como única sócia de duas empresas recém-criadas no mesmo ano: a Sorocaba Neumax SPE, dotada de um capital de R$ 3 milhões, e a Neumax Atlântica SPE, com capital de R$ 13 milhões. Em ambas as estruturas societárias, Milton Leite atua diretamente como administrador e principal representante da construtora da família.
Outro empreendimento de destaque ligado ao ex-vereador é a Lesimo Sondagens Projetos e Construções, avaliada em R$ 600 mil de capital social. A Lesimo detém a propriedade do imóvel localizado na região de Santo Amaro, na zona sul paulistana, que foi alvo de uma invasão recente e onde autoridades policiais apreenderam documentos, cartões bancários e listagens com nomes e valores vinculados ao político.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
