O relatório preliminar da intervenção realizada no Consórcio Guaicurus revelou uma retração significativa na quantidade de passageiros transportados pelo transporte coletivo de Campo Grande entre os anos de 2023 e 2025. De acordo com os dados obtidos por meio do Centro de Controle Operacional (CCO) e do sistema de bilhetagem das concessionárias, o total de usuários sofreu uma queda de 9,9% no período, enquanto o número de passageiros pagantes recuou de forma ainda mais acentuada, registrando baixa de 12,3%.
A análise detalhada do documento aponta que a diminuição da demanda ocorreu em paralelo à redução da oferta operacional do serviço. O número total de viagens realizadas despencou cerca de 14%, passando de 1.020.425 em 2023 para 878.103 em 2025. No mesmo intervalo, a quilometragem percorrida pela frota caiu de 19,33 milhões de quilômetros para 16,39 milhões, o que representa uma retração de 15,2% na circulação dos ônibus pelas ruas da Capital.
A equipe responsável pela intervenção destacou que essa retração na oferta aconteceu sem que houvesse redução oficial do tamanho total da frota por meio de compra ou venda de veículos. O diagnóstico indica a necessidade urgente de avaliar a disponibilidade operacional real dos ônibus, as condições efetivas de manutenção e a capacidade de aproveitamento da frota pelas empresas concessionárias.
Entre os passageiros pagantes, a queda foi proporcionalmente maior do que a média geral. Em 2023, o sistema registrou 21.024.473 usuários pagantes, número que diminuiu para 20.215.048 em 2024 e chegou a 18.436.919 no fechamento de 2025. Com isso, a participação desse público no total transportado encolheu de 62,1% para 60,4%, demonstrando que a parcela da população com alternativas de deslocamento optou por abandonar o sistema diante de atrasos e horários imprevisíveis.
O documento ressalta que a reconquista desses passageiros tende a ser um processo lento e gradual. A equipe de intervenção avalia que a simples retomada da oferta de viagens e quilometragem não garante o retorno imediato do usuário, já que a confiança na regularidade e na previsibilidade do serviço foi abalada após anos de deterioração operacional.
Embora os primeiros meses de 2026 tenham mantido a tendência de baixa, indicadores computados após o início oficial da intervenção — ocorrida em 16 de junho — começaram a mostrar sinais de reação na oferta e na demanda, com destaque para o mês de agosto. Contudo, o relatório adverte que a medida tem caráter emergencial e que a estabilização definitiva do sistema dependerá de investimentos de longo prazo em governança, renovação de frota e profissionalização da manutenção.
Fonte: www.campograndenews.com.br
