O governo de Donald Trump baniu o site Politico da cobertura da Casa Branca sob o argumento de que o veículo de notícias teria violado padrões de ética profissional ao usar fontes anônimas e publicar informações sensíveis ou secretas. Contudo, a própria administração utilizou como exemplo uma reportagem publicada pelo Politico baseada em informações fornecidas oficialmente pela Casa Branca durante um briefing com jornalistas.
A revelação consta em uma das três cartas enviadas pela gestão do republicano a um tribunal que analisa a ação movida pelo Politico e pelas redes CNN e MS NOW, que também foram proibidas de realizar cobertura no local, conforme apurou o jornal The Washington Post. No briefing em questão, os profissionais de imprensa foram instruídos a atribuir as informações a uma “autoridade sênior do governo”, sem revelar sua identidade.
Práticas desse tipo, coletivas e sob anonimato, são recorrentes na relação entre o Executivo norte-americano e a imprensa para comunicar questões urgentes, mas sensíveis. Na ocasião, o briefing abordou o andamento de um acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irã, discutido em junho. Durante o encontro, a autoridade apontou que a trégua tinha grandes chances de ser concretizada em breve, o que acabou gerando repercussão pública.
De acordo com os registros apresentados à Justiça, a Casa Branca citou um texto do Politico que trazia estimativas percentuais sobre o acordo, acompanhado da avaliação de que o vazamento poderia prejudicar a segurança nacional. A reportagem seguiu rigorosamente as diretrizes solicitadas pelo governo, sem expor o emissor, assim como fizeram outros veículos presentes que não sofreram sanções.
O republicano anunciou o veto na última sexta-feira (18), alegando sem apresentar provas que as empresas publicavam conteúdos falsos. Enquanto a disputa avança no âmbito judicial, o Executivo declarou que o acesso de repórteres à Casa Branca configura um privilégio e não um direito, gerando forte reação das organizações jornalísticas que apontam violação à Primeira Emenda constitucional.
O juiz federal Timothy Kelly conduziu uma audiência de emergência para avaliar o pedido de uma ordem temporária que revogue o banimento. Embora o magistrado tenha ponderado que a decisão presidencial parece divergir de precedentes de tribunais de apelação — que garantem o direito ao devido processo legal antes da cassação de credenciais —, nenhuma liminar foi concedida de imediato, mantendo a proibição em vigor.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
