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A violência levou Vera cedo demais, mas não apaga a mulher que ela foi

Aos 59 anos, comerciante deixou filhos, neto e uma história de acolhimento, trabalho e dedicação à família em Campo Grande.

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A violência levou Vera cedo demais, mas não apaga a mulher que ela foi

Antes de ser lembrada pela violência que interrompeu prematuramente sua vida, Vera Lúcia Rossatte era amplamente conhecida pelo cuidado constante com quem a rodeava. Aos 59 anos, ela deixou dois filhos, um neto e uma sólida história construída ao lado da família, marcada por muito trabalho e por uma disposição incansável para ajudar quem estivesse por perto.

Para amigos e vizinhos do bairro Zé Pereira, onde morou por mais de duas décadas, Vera já fazia parte da rotina diária da região. A partir da loja de aviamentos que passou a tocar, ela transformou o espaço em um ponto de encontro onde cabiam conversas, conselhos e a formação de amizades duradouras que a acompanharam até o fim da vida.

O filho mais velho, Frank Rossatte, ainda tenta lidar com a perda e destaca que a essência de dona Vera permanece viva nos pequenos detalhes do cotidiano. Desde a roupa dobrada do jeito que ela gostava até o potinho de feijão guardado com zelo, os horários cumpridos à risca e o carinho dedicado aos filhos e ao neto compõem as lembranças mais queridas.

A trajetória de Vera foi erguida com muito esforço e dedicação profissional. Após deixar o interior em busca de oportunidades em Naviraí e, posteriormente, em Campo Grande, ela trabalhou no Banco Real — que mais tarde viria a ser o Santander — e descobriu na costura uma verdadeira paixão, criando peças para familiares e amigos próximos.

Com o passar do tempo, percebendo a carência de produtos simples na região do Zé Pereira, como linhas e zíperes, ela deu início a um negócio próprio que começou de forma despretensiosa em casa e expandiu-se para uma das principais avenidas do bairro. Além da costura, tornou-se líder de vendas de marcas de cosméticos, conquistando uma legião de admiradoras.

Mesmo diante do fim trágico e precoce aos 59 anos, os filhos decidiram manter as portas da loja abertas como forma de honrar o legado deixado por ela. Para quem conviveu com Vera, a lembrança que permanece não é a da violência que interrompeu sua jornada, mas sim a da mulher acolhedora, trabalhadora e dedicada que ela sempre foi.

Fonte: www.campograndenews.com.br

Escrito por

Jeder Fabiano