O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) iniciou nesta sexta-feira a análise para decidir se abre ou não investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no âmbito do chamado caso Master. O colegiado tem a missão de avaliar se o procedimento deve ser arquivado ou se existem elementos suficientes que justifiquem aprofundar a apuração sobre o chefe do órgão.
A análise do conselho tem como base principal as menções feitas ao nome de Paulo Gonet em mensagens atribuídas ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master e que está preso no contexto do escândalo financeiro investigado pelas autoridades. Além das mensagens, a divulgação recente de uma fotografia que mostra Gonet e Vorcaro juntos em uma confraternização realizada em Londres acabou amplificando as críticas e gerando desgaste interno no Ministério Público.
Diante da repercussão da imagem, Paulo Gonet veio a público para se defender das especulações. O procurador-geral afirmou categoricamente que nunca manteve qualquer tipo de relação de proximidade com o banqueiro. Ele classificou o contato registrado entre ambos como sendo “brevíssimo e banal”. Mesmo com a justificativa, a pressão interna motivou o andamento do procedimento no conselho.
Durante a sessão desta sexta-feira, que é presidida pelo vice-presidente do colegiado, o subprocurador-geral Nicolao Dino, coube ao subprocurador-geral Francisco Sanseverino atuar como relator do caso. É importante destacar que, embora seja o presidente nato do Conselho Superior do MPF, Paulo Gonet não participa das discussões da reunião por figurar diretamente como alvo do procedimento em avaliação.
Em sua manifestação inicial, o relator dividiu a análise do caso. Francisco Sanseverino votou contra os pedidos que exigiam o afastamento de Paulo Gonet da condução das investigações gerais do caso Master, fundamentando a decisão em uma questão processual. Com esse entendimento preliminar, o voto caminha para manter o procurador-geral à frente das apurações principais, restando ainda avaliar eventuais desdobramentos de crimes comuns.
Caso o colegiado do Ministério Público Federal entenda, ao final da deliberação, que existem indícios consistentes que mereçam investigação formal, um subprocurador-geral da República deverá ser designado especificamente para examinar todo o material anexado. A sessão do conselho segue em andamento para esgotar a avaliação de todas as etapas do rito processual estabelecido.
Fonte: g1.globo.com
