O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, decidiu manter sob sigilo um braço específico da investigação relacionada ao caso Master. A medida ocorre mesmo após o ministro ter atendido à determinação do presidente da corte, Edson Fachin, e tornado públicos mais de 50 processos que compõem o mesmo escopo investigativo.
O trecho que permanece sigiloso envolve o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro. Ele é suspeito de atuar na operacionalização de uma aplicação de R$ 3 bilhões no Banco Master por meio do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores estaduais, mantendo um suposto vínculo próximo com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Dentro do processo mantido em segredo, Mendonça negou, no mês de julho, um pedido formulado pela Polícia Federal para deflagrar uma segunda operação de busca e apreensão contra o ex-governador. A solicitação da corporação contava com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, mas o relator entendeu que não havia justa causa suficiente para a medida.
A primeira fase da operação Compliance Zero contra Castro havia ocorrido em maio, com autorização do próprio Mendonça, quando agentes federais vasculharam a residência do político na Barra da Tijuca. No entanto, para a segunda investida pretendida pela polícia, o magistrado avaliou que os indícios apresentados não justificavam uma nova varredura ampla na vida pessoal e profissional do investigado.
Enquanto o gabinete de Mendonça argumenta que a decisão está amparada pelas exceções estipuladas por Fachin para diligências que ainda exigem sigilo, interlocutores da Polícia Federal apontam suposta seletividade na condução dos autos. A controvérsia insere-se em um contexto de tensões internas no STF sobre o ritmo e o tratamento de investigações envolvendo figuras políticas de destaque.
Por fim, as defesas e assessorias envolvidas reiteraram suas posições por meio de notas oficiais. Representantes de Cláudio Castro afirmam que a relação com o ministro sempre se deu de forma estritamente institucional, e que os atos de sua gestão seguiram rigorosamente os parâmetros técnicos e legais previstos na administração pública.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
