O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou durante um evento realizado em São Paulo que a preservação da estabilidade fiscal constitui uma obrigação inerente a qualquer administração pública. O encontro reuniu cerca de 700 empresários, executivos e representantes de grandes grupos corporativos nacionais e internacionais no Hotel Tivoli Mofarrej, localizado na região da avenida Paulista.
Diante da plateia do setor produtivo e financeiro, o chefe do Executivo declarou que o equilíbrio das contas públicas não representa um mérito político, mas um dever institucional. Na ocasião, ele relatou ter herdado um déficit considerável e projetou o alcance de superávit para o ano corrente, ressaltando que o ajuste financeiro não deve penalizar programas sociais ou gastos previdenciários.
O discurso também abarcou pautas institucionais e políticas de maior amplitude. O presidente defendeu a realização de uma discussão ampla sobre uma reforma do Judiciário, levantando o questionamento a respeito da permanência vitalícia dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e sugerindo a avaliação da adoção de mandatos temporários para os cargos da corte superior.
Além das questões fiscais e judiciais, o mandatário criticou a atuação das agências reguladoras, com menção específica à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), afirmando que o Estado é o responsável pela definição das políticas públicas e que as autarquias devem atuar estritamente dentro de suas finalidades regulatórias.
O evento, promovido por organizações como a Esfera Brasil, o grupo jurídico Prerrogativas e o Parlatório, contou com a presença de lideranças de diversos setores da economia, incluindo o sistema financeiro, mineração, energia e tecnologia. Participantes relataram expectativa em relação às diretrizes econômicas e ao compromisso governamental com o controle de gastos e a inflação.
Na reta final de sua intervenção, o presidente destacou sua experiência administrativa e a de seu vice, Geraldo Alckmin, além de abordar temas como autonomia tecnológica, investimentos estrangeiros, transição energética e a necessidade de fortalecer a industrialização nacional com foco no processamento local de recursos minerais.
Fonte: c-level.folha.uol.com.br
