O publicitário Jeferson Monteiro, conhecido nacionalmente por criar a página de humor político Dilma Bolada, veio a público negar qualquer envolvimento na autoria de uma notícia falsa que circulou intensamente nas redes sociais. O boato em questão envolvia o senador Flávio Bolsonaro (PL) e sugeria uma suposta intenção do parlamentar de retirar o título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida caso vencesse a disputa presidencial.
Em declarações concedidas neste sábado, Monteiro classificou a acusação como uma tentativa deliberada de construir uma narrativa e manipular o debate eleitoral em curso. O criador da página humorística afirmou categoricamente que jamais daria uma declaração inverídica e confirmou que a conta citada pela campanha adversária pertence efetivamente a ele, embora rejeite o conteúdo das imputações feitas contra sua conduta na internet.
A controvérsia ganhou tração após a campanha do principal opositor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na corrida ao Palácio do Planalto apontar o perfil do publicitário na rede social X como o ponto de partida da desinformação. Em resposta, os representantes de Flávio Bolsonaro informaram que acionaram formalmente o Ministério Público Eleitoral para investigar o caso, pontuando que desconheciam o vínculo prévio da conta com Monteiro.
O próprio publicitário esclareceu que suas postagens recentes na plataforma abordavam a necessidade de o eleitor católico rejeitar candidatos associados a ameaças democráticas, estendendo o argumento a nomes ligados à extrema direita. Segundo ele, as discussões sobre a possível remoção do título da padroeira remetem a propostas formuladas no passado por agentes políticos e que acabaram sendo arquivadas pelos órgãos legislativos competentes.
A origem do boato remonta a um projeto apresentado em 2007 que pretendia alterar o status religioso de Nossa Senhora Aparecida, mas que perdeu validade jurídica logo no ano seguinte. O tema ressurgiu no debate público após repercussões na imprensa e declarações de figuras políticas, gerando forte repercussão entre eleitores e alimentando confrontos ideológicos e religiosos nas plataformas digitais.
A polêmica ganhou novos contornos com o aproveitamento de trechos de vídeos antigos e recentes de candidatos por opositores e aliados, intensificando a disputa no campo religioso. A participação de figuras como o vice-presidente Geraldo Alckmin e a primeira-dama Janja na exploração do episódio evidencia o alto grau de polarização que marca a corrida eleitoral atual.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
