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Especialistas apoiam decisão de Dino e alertam sobre intervenção judicial

Especialistas em direito eleitoral avaliam a decisão do ministro Flávio Dino de anular ordem de remoção de postagens sobre Flávio Bolsonaro e discutem os limites da atuação da Justiça.

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Especialistas apoiam decisão de Dino e alertam sobre intervenção judicial

A escalada de um caso envolvendo uma notícia falsa disseminada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL) e Nossa Senhora Aparecida tem gerado debates intensos entre especialistas em direito eleitoral. O episódio levanta questionamentos cruciais a respeito do papel do Poder Judiciário na preservação da liberdade de expressão e do debate democrático às vésperas do pleito eleitoral.

O assunto ganhou forte repercussão nas redes sociais após a propagação de boatos de que Flávio Bolsonaro pretenderia retirar o título de padroeira da santa caso fosse eleito. A desinformação gerou prejuízos à campanha do parlamentar, motivando o pedido de intervenção urgente junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Na última sexta-feira (25), o ministro André Mendonça atendeu ao pleito do candidato ao classificar os conteúdos como notoriamente inverídicos e determinar a remoção imediata das postagens. No entanto, em uma reviravolta neste domingo (27), o ministro Flávio Dino anulou a determinação anterior e liberou a publicação dos conteúdos, argumentando a ausência de um grau de certeza inequívoco sobre a ilicitude das postagens e reforçando a defesa da liberdade de expressão.

Para Fernando Neisser, professor de direito eleitoral da FGV-SP, a postura adotada por Dino foi correta. Ele aponta que restrições à liberdade de expressão durante o período eleitoral exigem a divulgação de fatos indiscutivelmente falsos, cenário que, segundo ele, não se concretizou integralmente na situação analisada, além de criticar a ordem anterior por atingir centenas de perfis alheios ao processo.

Por sua vez, a advogada Emma Roberta Bueno também avalia como acertada a liberalização de debates críticos, mas aponta focos de preocupação. Ela destaca que, embora seja legítimo discutir indícios e questionar propostas de campanha, a decisão pode abrir margem perigosa para discursos que atribuam falsamente declarações diretas ao candidato.

Adicionalmente, Rafael Cezar dos Santos, especialista no tema, pontua que a Justiça Eleitoral tem demonstrado uma diretriz voltada a proteger a integridade informacional do eleitor, intervindo apenas de forma excepcional quando há imputação grave sem base fática. O principal desafio, concluem os especialistas, permanece sendo o equilíbrio tênue entre coibir a desinformação prejudicial e resguardar a circulação livre de ideias na política.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

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