A propagação de uma notícia falsa afirmando que o senador Flávio Bolsonaro (PL) pretendia revogar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida, caso fosse eleito presidente, colocou a campanha do parlamentar na defensiva durante a reta final do primeiro turno da disputa contra o presidente Lula (PT).
Apesar da repercussão nas redes, o espraiamento desse boato foi consideravelmente inferior ao registrado durante o vazamento do áudio em que o senador pedia recursos ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar a produção do filme Dark Horse, conforme apontado por análises de dados de mercado.
A circulação da informação inverídica perdeu força ao longo do fim de semana, apresentando uma queda superior a 50% nas menções no domingo (27) em relação ao pico registrado na última sexta-feira (25), mesmo após decisões de ministros do STF sobre a proibição ou liberação de publicações sobre o tema.
Empresas de inteligência de dados como Palver, Bites e Tunad monitoraram o fluxo de informações e constataram que, embora o assunto tenha ganhado destaque em plataformas específicas como o TikTok e gerado alta nas buscas do Google, seu potencial de dano foi limitado em comparação a crises anteriores enfrentadas pela candidatura.
O episódio mobilizou tanto a defesa jurídica do candidato, que acionou a Justiça Eleitoral e publicou vídeos de desmentido, quanto aliados de Lula, que aproveitaram o tema para dialogar com o eleitorado católico em atos públicos e publicações na internet.
Especialistas apontam que a alta concentração de debates em redes sociais de menor alcance popular no Brasil, como o X (antigo Twitter), pode ter superestimado a percepção de crise, visto que plataformas de massa como WhatsApp, Instagram e YouTube registraram índices bem menores de engajamento em torno do boato sobre a santa.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
