Com os termômetros alcançando até 42ºC em Campo Grande e o Instituto Nacional de Meteorologia alertando para a alta probabilidade de um El Niño intenso, o trabalho sob o sol forte tornou-se uma verdadeira batalha diária para profissionais que atuam a céu aberto. Na construção civil e na manutenção urbana, a exposição contínua ao calor extremo representa um risco severo à saúde, com possibilidades de desidratação, insolação e episódios graves de estresse térmico.
Considerada a quinta capital mais quente do país segundo dados oficiais, a cidade exige adaptações rigorosas nos canteiros de obras. O pedreiro Márcio Aparecido Rodrigues, que atua na ampliação de um imóvel no bairro Maria Aparecida Pedrossian, relata que o serviço de aplicação de reboco sob o sol intenso demanda esforço redobrado e paradas obrigatórias a cada hora de atividade para evitar tonturas e exaustão.
Para amenizar os impactos do clima, os trabalhadores recorrem a alternativas tradicionais e novos hábitos de rotina. Na revitalização de uma praça localizada no bairro Chácara Cachoeira, a servente de pedreiro Amanda Vitória destaca que a hidratação ocorre a cada trinta minutos, intercalada com momentos de descanso à sombra acompanhados de tereré gelado. O horário de almoço na obra também foi estendido para duas horas, visando afastar a equipe do período de maior intensidade solar.
Diante do cenário de altas temperaturas, o Ministério Público do Trabalho em Mato Grosso do Sul (MPT-MS) enfatiza que a preservação da integridade física do trabalhador é um dever legal do empregador. A instituição lembra que a Norma Regulamentadora 01 exige que o Programa de Gerenciamento de Riscos de cada companhia antecipe e controle ameaças ambientais e climáticas externas, avaliando o risco térmico por meio do índice IBUTG.
O MPT-MS já emitiu recomendações direcionadas a diversos setores, incluindo áreas rurais, limpeza urbana, órgãos públicos e entidades sindicais. No âmbito da construção civil, o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias (Sintracom) aponta que, embora o fornecimento de água fresca e sombra seja o requisito mínimo exigido por lei, a fiscalização deve ser constante, principalmente em empresas terceirizadas de médio e pequeno porte.
Caso as empresas deixem de fornecer água potável, locais adequados para descanso ou equipamentos de proteção individual contra a radiação solar, os trabalhadores são orientados a relatar o problema à chefia imediata, acionar o sindicato da categoria ou registrar denúncias de forma sigilosa diretamente nos canais oficiais do Ministério Público do Trabalho.
Fonte: www.campograndenews.com.br
