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Preferência por jogos digitais é manipulada por políticas da indústria, aponta varejista

Executivo do setor de mídia física contesta dados de vendas digitais da Sony e afirma que restrições na distribuição de discos forçam o consumo online.

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Preferência por jogos digitais é manipulada por políticas da indústria, aponta varejista

A decisão da Sony de encerrar a produção de jogos em disco para PlayStation a partir de janeiro de 2028 tem provocado reações intensas de jogadores nas redes sociais. Para Ricardo Vieira, diretor comercial da Gamer Hut, os consumidores têm total razão em protestar contra a medida anunciada pela fabricante japonesa.

O executivo da loja online especializada em mídias físicas argumenta que a narrativa da indústria sobre uma suposta preferência absoluta pelo formato digital não reflete a realidade da demanda observada no comércio. Segundo Vieira, essa suposta preferência é impulsionada pelas próprias empresas ao adotarem estratégias de distribuição que restringem a circulação de cópias em disco.

Em julho, a Sony justificou o fim das mídias físicas para os futuros consoles alegando que busca se adaptar às tendências de consumo, sustentando que a demanda geral pelo digital supera com margem significativa a procura por discos. Contudo, Vieira contesta a interpretação dos balanços da companhia, que apontam cerca de 80% de vendas digitais, afirmando que o cálculo engloba conteúdos extras e títulos lançados exclusivamente sem versão física.

Como contraponto, o executivo cita o desempenho de vendas de discos do jogo ‘Resident Evil Requiem’, cujos números da Ampere Analysis mostraram que as cópias físicas superaram as digitais nos primeiros meses de lançamento em mercados como França e Japão, além de manterem fatias expressivas em países como Austrália e Reino Unido.

Nos Estados Unidos, onde o patamar de vendas físicas ficou mais próximo das estatísticas oficiais da marca, relatos de esgotamento rápido dos estoques reforçam a tese de falhas na distribuição. Para Vieira, a adoção de uma política de estoque zero por parte dos distribuidores acaba por fomentar a ação de intermediários especuladores e empurra o consumidor para a alternativa digital contra a sua própria vontade.

Apesar de reconhecer que as novas gerações de jogadores demonstram menor apego aos discos e que a mídia física eventualmente deixará de existir, o executivo avalia que abandonar esse segmento no cenário atual prejudica o mercado e estimula a pirataria.

Fonte: c-level.folha.uol.com.br

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