Nesta data de 1º de outubro, celebra-se o Dia da Pessoa Idosa, marco instituído há 35 anos pela Organização das Nações Unidas (ONU). Na mesma data, porém no ano de 2003, o Brasil promulgou o Estatuto do Idoso, legislação posteriormente renomeada para Estatuto da Pessoa Idosa. O texto representou um avanço expressivo na garantia de direitos e na proteção social, assegurando prioridades em filas, reserva de unidades habitacionais em programas públicos, vagas de estacionamento exclusivas, meia-entrada em eventos culturais, acompanhamento hospitalar e a previsão legal de pensão alimentícia devida por descendentes.
No município paranaense de Apucarana, a configuração demográfica apresenta um cenário singular e desafiador. A cidade registra uma proporção de longevidade superior às médias do estado do Paraná e do país. Enquanto o índice nacional de moradores com 60 anos ou mais é de 15,8% e o paranaense chega a 16,5%, em Apucarana essa faixa etária atinge 17,7% da população. Nos distritos locais, a concentração de idosos é ainda mais expressiva, superando o número de crianças de até 14 anos em localidades como Pirapó, Caixa de São Pedro e Correia de Freitas.
Esse envelhecimento populacional acarreta reflexos diretos no sistema de saúde pública. Os idosos representam 17,7% dos habitantes de Apucarana, mas respondem por 36% das internações hospitalares e absorvem 46% dos gastos da rede nessa área, totalizando R$ 16,7 milhões. Além disso, a permanência hospitalar é superior à média geral, alcançando quase cinco dias para pacientes com mais de 80 anos. Paralelamente, o município observa um crescimento acentuado nas notificações de violência contra essa parcela da população, com registros que saltaram de 25 para 104 casos anuais pelo SUS entre 2019 e 2025.
Levantamentos detalhados sobre as ocorrências de violência apontam que a grande maioria das vítimas é do sexo feminino e que expressiva parte das agressões ocorre no interior dos domicílios. Os principais agressores identificados são os próprios filhos ou cônjuges, predominando a violência psicológica, seguida pela física, financeira e por situações de negligência ou abandono. O cenário exige rigor no cumprimento das leis de proteção e mobilização da rede de assistência e segurança pública municipal.
No panorama político e eleitoral, a população com 60 anos ou mais também exerce forte representatividade em Apucarana. Do total de eleitores do município, cerca de 27% são idosos, superando numericamente a faixa de eleitores mais jovens. O engajamento dessa população nas urnas ganha relevância adicional devido à regra que valida a votação como prova de vida para aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), facilitando a manutenção de seus benefícios previdenciários.
Apesar dos desafios na saúde e na segurança, Apucarana conta com diversas iniciativas voltadas ao bem-estar da terceira idade, como centros de acolhimento, restaurantes populares, bailes tradicionais, programas de viagens e atividades físicas e culturais gratuitas. A proteção integral aos idosos permanece como dever coletivo, reforçado por canais de denúncia anônima e especializada, a exemplo do Disque 100, fundamentais para coibir abusos e garantir dignidade aos cidadãos que construíram a história da comunidade.
Fonte: tnonline.uol.com.br
