O uso da linha do rotativo do cartão de crédito, que representa o juro mais alto do mercado financeiro brasileiro, bateu recorde de utilização neste ano, conforme dados divulgados pelo Banco Central. A modalidade é apontada como um dos principais vilões do alto nível de endividamento da população no país.
De acordo com o Banco Central, as contratações no crédito rotativo somaram R$ 311 bilhões nos primeiros oito meses de 2026, estabelecendo um novo patamar recorde. No mesmo período do ano passado, o volume havia totalizado R$ 266 bilhões. Com o avanço acelerado, as concessões registradas na parcial deste ano já se aproximam do total acumulado em todo o ano passado, que foi de R$ 403 bilhões.
O crédito rotativo é acionado automaticamente quando o consumidor não consegue quitar o valor total da fatura na data do vencimento. Diante desse cenário de forte expansão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que está discutindo com o Banco Central a possibilidade de proibir que uma pessoa tenha mais de um cartão de crédito no país.
Durante declaração, Lula destacou que a medida tem como objetivo conter o endividamento recorde da população. O presidente citou exemplos de cidadãos que recebem múltiplos cartões em casa e acumulam dívidas expressivas com facilidade, defendendo que é preciso moralizar a questão do crédito e evitar que a sociedade seja endividada de forma irresponsável.
Dados do Banco Central apontam que cerca de 101 milhões de pessoas utilizavam cartão de crédito no Brasil no início deste ano, o que representa quase a metade da população. Desse total, aproximadamente 40 milhões de brasileiros estavam com dívidas ativas no cartão de crédito rotativo em janeiro. Impulsionada pelos juros elevados, a taxa de inadimplência dessa linha alcançou 63,5%, indicando que mais de R$ 60 em cada R$ 100 emprestados não foram honrados.
O juro médio cobrado pelos bancos no rotativo atingiu 445% ao ano em agosto, configurando a taxa mais alta do mercado. Em comparação, as taxas do crédito consignado variam de aproximadamente 24% a 56% ao ano. Analistas recomendam que a modalidade rotativa seja estritamente evitada e que os clientes bancários paguem sempre o valor integral da fatura mensal.
Cabe lembrar que, em janeiro de 2024, o governo e o Congresso já haviam estabelecido um limite para o endividamento do rotativo, determinando que o valor total do débito, somando juros e encargos, não pode exceder o valor original da dívida principal.
Fonte: g1.globo.com
