Veículos chineses, amplamente controlados pelo governo de Pequim, vêm dando forte destaque ao processo eleitoral brasileiro. O Brasil é visto por órgãos de imprensa da China como um dos maiores parceiros comerciais do planeta, fonte vital de produtos agrícolas, aliado nos Brics e ator regional de grande relevância em um continente fortemente influenciado pelos Estados Unidos.
Nas últimas semanas, a imprensa do país asiático tem focado nos dois principais candidatos à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), apontados como favoritos para o segundo turno da disputa. Analistas internacionais apontam que a cobertura reflete o interesse do governo de Xi Jinping, que trata o Brasil sob a ótica da chamada ‘diplomacia de grandes países’.
Segundo Kerry Allen, analista de Mídia da China do BBC Monitoring, a cobertura demonstra uma clara preferência de Pequim por Lula. Veículos estatais e de grande circulação, como o Global Times, descrevem Lula como o político de esquerda mais influente do país, destacando sua sólida base de apoio popular, experiência em governança e imagem internacional positiva.
Por outro lado, a imprensa chinesa adota uma postura cautelosa para não antagonizar Flávio Bolsonaro. O entendimento em Pequim é de que as relações positivas devem ser mantidas independentemente de quem assumir o poder, reconhecendo tanto a relação consolidada de Lula com Xi Jinping quanto as sinalizações de Flávio Bolsonaro de que os laços comerciais não sofrerão alterações.
O jornal Global Times classifica a disputa como uma das mais polarizadas da história brasileira, ressaltando que tanto a esquerda quanto a direita possuem pontos fortes e apelo semelhante junto aos eleitores. Enquanto Lula ganharia vantagem em políticas sociais e econômicas, a direita se destacaria em pautas ligadas à segurança pública.
Analistas e portais de tecnologia chineses, como o NetEase, enfatizam que a bússola política do Brasil é guiada por interesses econômicos pragmáticos, comparando o país a um ‘navio cargueiro’ que continuará negociando com o Leste, independentemente de quem vença o pleito, dada a vitalidade do mercado chinês para o agronegócio nacional.
Fonte: g1.globo.com
