O Ministério do Comércio da China anunciou neste sábado a abertura de uma investigação antidumping direcionada às exportações europeias de p-nitroclorobenzeno, também conhecido como p-nitrotolueno. O insumo químico é amplamente utilizado na fabricação de corantes, produtos farmacêuticos, pesticidas e pigmentos, desempenhando papel relevante na cadeia industrial.
A decisão de Pequim veio após uma reclamação formal apresentada pela indústria local e acirra ainda mais as já tensas relações comerciais entre Bruxelas e o governo chinês. O movimento ocorre logo após a União Europeia abrir três investigações antidumping distintas contra produtos químicos vindos da China na semana passada, além de consultar parceiros comerciais sobre o desenvolvimento de uma ferramenta voltada a reduzir a dependência de importações do país asiático.
As discussões antecedem reuniões cruciais marcadas em Pequim entre o comissário de Comércio da União Europeia, Maroš Šefčovič, e o ministro do Comércio chinês, Wang Wentao. A UE estabeleceu o mês de outubro como prazo final para tentar reduzir o seu déficit comercial com a China, patamar que atualmente alcança a marca de 1 bilhão de euros por dia, sob a ameaça de adotar novas barreiras comerciais durante uma cúpula de líderes no final do mês.
Segundo as autoridades da pasta de comércio chinesa, as exportações do produto químico originárias da Europa mantiveram patamares elevados entre os anos de 2022 e 2025. No mesmo período, contudo, os preços registraram uma queda de 60%, o que preencheria os requisitos legais exigidos tanto pelas regulamentações locais quanto pelas diretrizes da Organização Mundial do Comércio para a instauração de uma investigação formal.
A ofensiva comercial de Pequim também se desenrola em um cenário onde a União Europeia emitiu avisos ao primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, sobre a necessidade imperativa de alinhar as tarifas aplicadas a carros chineses às políticas adotadas pelo bloco europeu, com o objetivo de evitar a imposição de barreiras.
Analistas apontam que o atrito comercial abrange múltiplos setores. Enquanto Bruxelas argumenta que os rígidos controles impostos pela China à exportação de terras raras — introduzidos no ano anterior como medida de retaliação a tarifas adotadas pelos Estados Unidos — causaram prejuízos diretos a empresas europeias, a resposta chinesa tem mirado com frequência interesses do setor agrícola da Europa, afetando exportações de laticínios, carne suína e conhaque.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
